anaquim_header

Anaquim @ Maxime

O novo Portugal musical. 18 de Março de 2010.

Nos últimos dois/três anos, cantar em português passou de excepção a regra. Regra que os Anaquim confirmam sem um pingo de vergonha. Para além da cantoria se fazer em português, também eles, à imagem de grande parte dos projectos da FlorCaveira, Cão da Morte e Deolinda, se atiram à música de raiz mais tradicional. Este é o novo Portugal musical.

A introdução ao espectáculo é feita em duas fases. Na primeira, ouvimos José Mariño a introduzir Anaquim, que, segundo a Trompa, “nasce da poeira das ruas, espreitando antes de atravessar, um duende que não ama nem dorme, e se esconde a observar o mundo dos outros como se dele não fizesse parte”. Na segunda fase ouvimos um anúncio publicitário familiar que tem como slogan “Anaquim, eficaz e não ataca o estômago”.

O espectáculo começa com o single «A vida dos Outros», manobra arriscada noutro tipo de contexto. José Rebola é o homem do leme. Está de boina e barba aparada e uma pose descontraída que combina bem com a música festiva. Na guitarra acústica está Luís Duarte, membro mais irrequieto da banda que tanto pontapeia um prato de bateria como usa uma das mesas do Maxime para se equilibrar enquanto ataca o instrumento.

A cada nova canção, Rebola faz uma pequena introdução a explicar o que quer dizer. A de «Na minha Rua» é particularmente interessante. Rebola diz que “há coisas que só nos acontecem a nós. Por exemplo, roubaram-me o carro no outro dia, um [Renault] Megane cinzento. Se o virem…”. A canção acaba por derivar, no final, para «É tão bom», o clássico de Sérgio Godinho. Godinho e a sua costela interventiva apreciariam algumas das palavras de Rebola: “Há coisas estranhíssimas a acontecer. E, por isso, ninguém pode falar mal de Anaquim 60 dias antes de um concerto da banda senão é banido da mesma ou do clube de fãs”. Para bom entendedor…

Há referências à literatura portuguesa – relativas principalmente a Camões e o seu Lusíadas. Há uma homenagem a José Afonso e um dueto com Ana Bacalhau em «O meu coração». A vocalista dos Deolinda rouba todo o protagonismo à banda, é uma grande performer e dona de uma voz impressionante para figura tão franzina.

Antes do encore, a banda de Coimbra – que sonoramente falando nada tem a ver com as restantes bandas de Coimbra – e Luís Peixoto (que tocou em três canções) está toda ela agarrada a instrumentos de cordas, à excepção do baterista João Santiago.

Em encore, com a sala um pouco mais despida, os Anaquim atiram-se a uma divertida versão do tema principal de Tom Sawyer, esse mesmo, o da série animada dos anos 80. Resultado: uma celebrada brincadeira. Era suposto o concerto acabar com o óptimo instrumental que se lhe seguiu, mas o público “exigiu” mais uma canção. Rebola volta a atacar: “como todas as bandas que gostam de vender discos vamos tocar o single”. E foi festa garantida até ao final.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This