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Aniversário Meifumado

O barco ainda não afundou. Passos Manuel, 27 Novembro

Uma para a meia noite e começa a encher o Passos. Os concertos estavam marcados para as 22:30, mas quem liga a horários numa sexta feira à noite? No passado dia 27 de Novembro, a editora portuense Meifumado escolheu o Passos Manuel no Porto para celebrar o seu  5º aniversário.

Amigos, músicos, conhecidos e colaboradores da editora confraternizavam enquanto o espaço se ia compondo, afinal de contas um aniversariante não começa a festa sem os seus convidados.

Lá se abriu a porta para a sala dos concertos, onde cerca de metade dos lugares foram ocupados, enquanto a primeira banda se preparava para subir ao palco. O trio Guta Naki, vencedores do Restart Resound Fest 2009, foram os primeiros a dar os parabéns à Meifumado e a presentear a audiência com uma sonoridade multifacetada, onde elementos da pop e da electrónica se entrecruzaram com a poderosa voz de Cátia Pereira que, em português ou em castelhano cantou acompanhada de nuances pós-rock (em “Margarida”) e outras de semblante mais terreno como mostrou a fusão do tango com rock e eletrónica (em “Volúpia do Aborrecimento”).

Seguiram-se os ABZTRAQT SIR Q, que a brincar “não deram os parabéns à Meifumado” (palavras do guitarrista Peter Shuy) , e fizeram do palco uma representação surreal através da música. Desde o vestido de Mundina Moruniq (uma Alice no País das Maravilhas envisionada num sonho molhado de Tim Burton) até aos sons anárquicos e “apunkalhados” da banda, sem esquecer os devaneios a la Amanda Palmer (The Dresden Dolls) da vocalista, os ABZTRACT SIR Q marcaram a noite pela sua presença  e som de revolução.

Mas como a revolução faz-se nas ruas, e lá fora fazia frio, o público deixou-se ficar para a última banda da noite. Mais uns finos, mais duas de letra e sobem ao palco Paco Hunter. Os irmãos Paulo Zé e Zé Nando Pimenta, levaram a audiência até paragens mais quentes com músicas como Pensacola e Boca Raton, a evocar praias solarengas ao som do rock n’ roll. Paco Hunter é daquela música que se ouve numa pickup de caixa aberta a caminho da fronteira com o México, de óculos escuros e um pedaço de palha na boca se é que me faço entender.

Riffs surf rock e melodias country fizeram do Passos um “modern day sallon” onde houve até quem arriscasse um pézinho de dança.

A “soundtrack” da noite ficou completa com os sets de DJ Garizo e 2D2, que prolongaram a festa pela noite dentro. A Meifumado assinalou desta maneira o seu 5 º aniversário e aproveitou para lançar a compilação “5 anos 13 merdas”, onde figuram as três bandas desta noite, entre outras: uma reflexão que “funciona como um desenho técnico da Meifumado: Passado, caos e futuro.” Até agora o barco ainda não afundou, mas se afundar, dizem eles, que vão a nado.



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