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Arte à parte

Uma associação é um conjunto de pessoas? E que faz um conjunto de pessoas em Coimbra em nome da Arte?

Podíamos começar esta história com um “Há muito, muito tempo atrás”, mas em boa verdade nem foi assim há tanto tempo. E esta história ainda anda a ser contada pelas suas personagens e está longe de terminar.

Portanto, vamos até 2005 ano em que, partindo de uma vontade, a Arte à Parte nasceu quase como uma necessidade para que o projecto da Ópera Bichus pudesse tomar forma e, dois anos depois, em ano de homenagem a Miguel Torga, aquela que foi a primeira produção desta associação, estreou e percorreu os palcos do país. Nesse ano, a Arte à Parte já estendia os seus projectos a uma outra área bastante diferente. A dramatização de “O Capuchinho Cinzento”, partindo do texto de Matilde Rosa Araújo num projecto que se assumia como lúdico-pedagógico e que contava com a participação de alunos do primeiro ciclo do ensino básico. Da cronologia importa ainda referir que 2008 viu nascer a MACA – Magazine de Arte de Coimbra e Afins e o seu mais recente projecto passa pelas obras que estão a decorrer na sua sede, bem no coração da cidade de Coimbra, e que esperam que, quando estiverem prontas, sirvam de base a muitos projectos que estão a precisar de uma casa.

Isto é que se pode ler no panfleto mas a verdadeira essência desta associação está nas pessoas que a fazem. A conversa com barulho de fundo das marteladas das obras é lembrete constante que este último projecto está a andar e é bastante aguardado.

E de que se fala quando se pede linha orientadora, projectos futuros? De tudo, porque está tudo na mesa. Não há planos rígidos. Só se sabe o que não se quer fazer. Tudo o resto é possível, desde que faça sentido. Tanto, como o facto de que estar no coração da cidade é um trunfo, uma necessidade, uma certeza. Para ir beber à História do sítio, buscar inspiração, fazer dela bandeira, defender a cidade em que se vive e que faz de nós a nossa identidade.

A Arte à Parte nasceu em Coimbra e por isso a cidade é a sua identidade, a sua essência multidisciplinar, o seu centro do mundo. E o mote dentro daquelas paredes é que é proibido dizer “em Coimbra não se passa nada”. Porque em Coimbra estão sempre a acontecer coisas e quando as obras que se ouvem de fundo terminarem então ainda mais coisas estarão a acontecer.

E como as obras que nunca param, é disto que partem os projectos da Arte à Parte. Não esperam que sejam os outros a fazer, nem esperam por apoios para começar. E assim foi com a MACA, o projecto com maior visibilidade. Uma revista como uma linha editorial muito cuidada e colaboradores de qualidade. Que escrevem com conhecimento de causa e que pretende criar memória. Um produto que em si seja consumível não pela actualidade acutilante do seu conteúdo mas porque se reveste de mérito, agora como depois. “Escreve isso, nós queremos que os leitores escrevam”. Eu escrevo sim, porque a MACA não é unidireccional e quer ter a certeza de que o seu conteúdo é lido e que suscita vontade de partilhar os pensamentos que advêm dessa leitura. Quer-se retorno, interacção, a certeza de que não se está a trabalhar para o vazio.

Estamos em presença de pessoas que não trabalham sem um objectivo, apesar de ser difícil verbalizá-lo. Mas isso nem sequer é importante porque a sensibilidade ao detalhe preenche os espaços da conversa. São as grandes ideias, os ideais que ficam no ar. Suspensos entre cada martelada. A Arte à Parte quer-se invisível. Não há um querer colar o selo aos seus projectos. Eles que existam por si, pela sua qualidade. As pessoas que trabalham, quase na sombra, entre cada conquista do mundo, asseguram que os projectos lá estão com pernas para correr sozinhos e que a Arte à Parte é apenas o ponto em comum.

Neste momento, os seus maiores projectos são a revista MACA, que já se afirmou, e a sua sede na Rua Fernandes Tomaz, que se quer como ponto de passagem e paragem para a cidade. Com a forte convicção de que, quando abrir as suas portas, com todas as condições desejáveis, vai oferecer a todos um espaço que pretende suprir algumas falhas da cidade. Como, por exemplo, uma sala de ensaios. O bar com uma programação que se espera intensa e diversificada é outro exemplo.

E entre um e outro o que podemos esperar? Nem eles sabem muito bem. Apenas que o próximo projecto terá todo o entusiasmo de sempre.

Até lá, esperemos a próxima edição da MACA que já estava em cima da mesa e o final das obras. E depois podemos sempre espreitar qual será o próximo capítulo desta história.



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