“Sopa de Rato” | Arnold Lobel

“Sopa de Rato” | Arnold Lobel

Não há nada como uma bela sopa

Para Arnold Lobel, inventor de contos e fábulas, a expressão “aprender a ler” deveria ser sempre sinónimo de divertimento. Nos seus livros para os mais pequenos, quer ao nível das ilustrações como das próprias histórias, usou sempre de uma cómica inocência, sem com isso cair na infantilidade. “Sopa de Rato” (Kalandraka, 2013), um original de 1977, é disso um bom exemplo.

«Um rato estava sentado debaixo de uma árvore a ler um livro», começa assim esta fábula gastronómica. Só que, para azar do nosso pequeno roedor, uma doninha que por lá passava viu nele um belo aperitivo, caçando-o pela cauda e gritando triunfalmente: «vou fazer uma sopa de rato!»

Já na panela e prestes a entrar numa sauna forçada, o rato decide fazer valer a sua costela de pequeno chef, dizendo à doninha que, daquela forma, a sopa ia acabar por não saber a nada. E sabem porquê? Porque lhe faltava o ingrediente secreto necessário a qualquer boa sopa: histórias. Assim, de condenado a terminar os dias na panela, o rato transforma-se num exímio contador de histórias, tentando ganhar tempo e, com isso, escapar a um mais que certo infortúnio.

Teremos então quatro histórias a nadar a par da história principal, como quatro ingredientes atirados para dentro da panela sonhadora de Lobel. Histórias, essas, que vão cozendo em lume brando, a que se junta uma pitada de melancolia, uma mão-cheia de absurdo, um belo ramo de gargalhadas e ilustrações com um requintado toque de classicismo, que recordam (aos mais velhos) o voltar aos primeiros anos passados atrás de uma secretária de escola. Já diz quem sabe: não há nada como uma bela sopa. Formidável.

 

Do mesmo autor na Kalandraka:

– “Histórias de Ratinhos”

– “O Porquinho”

– “O Tio Elefante”



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