Beach House @ TMN Ao Vivo (16.3.2013)

Beach House @ TMN Ao Vivo (16.3.2013)

Fica para a próxima

Desde o debutante homónimo que os Beach House de Alex Scally e Victoria Legrand têm tentado limar as arestas de um som que, apesar do nome do projecto, sempre foi frio, arrepiante, gelado. Concordando ou não com as decisões do duo, a verdade é que os Beach House chegam ao TMN ao Vivo, em 2013, com a casa cheia e a papinha toda feita para aquilo que se espera ser o momento de consagração em terras lusitanas.

Infelizmente, e apesar do concerto bonitinho q.b., ainda não é desta e a culpa não é apenas da banda de Baltimore. Apesar de Alex e Victoria continuarem com alguns problemas em passar para o palco a panóplia de emoções que nos conseguem fazer sentir quando colocamos os headphones para ouvir a sua rica discografia, a verdade é que, das duas uma: ou a sala está mais do que esgotada, ou o público está mal distribuído – parece-nos ver claramente menos gente no piso de cima. Resultado: sala irrespirável, zero condições para retirar o máximo de um concerto.

Em entrevista à Time Out desta semana, Alex referia: “estudei Ciências no Liceu e na Universidade, e uma parte de mim quer sempre perceber o que está a acontecer à minha volta”. Pois bem, não é por acaso que, a certa altura, o ouvimos barafustar contra as inúmeras câmaras que querem que cada um de nós partilhe o momento nas redes sociais.

A alteração na imagem dos Beach House em palco ao longo desta meia dúzia de anos também tem sido feita de pormenores – Victoria, quase sempre escondida atrás do teclado, mas a capitalizar o foco de luz e a atenção do público, e Alex conivente com essa postura. As diferenças deste concerto para o espectáculo de 2010, no Super Bock Super Rock, resumem-se ao ambiente. Perdoem-nos os adeptos dos concertos de sala e os haters do festival de Sesimbra, a actuação no Meco conseguiu dar-nos mais condições.

O alinhamento negligenciou totalmente o primeiro álbum e privilegiou os últimos dois, “Teen Dream”, a obra-prima, e o mais recente – quanto a nós, apenas razoável. Sem surpresas, «Bloom», «Gila», «Silver Soul», «Walk in the Park», «10 Mile Stereo» e «Myth» foram momentos maiores.

A grande diferença dos Beach House de “Bloom” para os Beach House dos anteriores registos: antes, achávamo-nos perdidos nos sonhos, nas paisagens das suas canções, agora, quando nos conseguimos encontrar, o sonho já chegou ao fim. Foi assim ontem à noite, com mais ou menos oxigénio.

Fotografia por Marisa Cardoso



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