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Benny Hall

Centro Cultural de Lagos, 27 de Março

No dia 27 de Março – data oficial do Dia Mundial do Teatro – o Centro Cultural de Lagos recebeu a divertida paródia “Benny Hall”.

O colectivo Esticalimógama, de que fazem parte, respectivamente, os actores Ricardo Vaz Trindade, Paulo Lima e a pianista que os acompanha em diálogo, Joana Gama, levou até ao Algarve aquilo que, em abono da mordácia, já se vai subentendendo como “paródia voyeurista meta-crítica”. É de facto indiscutível o que este colectivo consegue durante cerca de uma hora e mais uns minutos, agarrando o público do início ao fim na reavaliação constante do que propõe recriar.

Numa genuina e descontraída visão do sociocultural, que tem na fonte os diálogos do filme “Annie Hall” de Woddy Allen, os actores refazem o conceito de tour de force em malabarismos contínuos ao texto traduzíveis num espectáculo em que o sarcasmo ponderado e o absurdo andam, despreconceituosamente, de mão dada.

Num registo que poderá ser entendido como stand-up, mas que não o é, porque vai além disso, renova-se, renova-nos, descomplica-se e descomplica-nos, “Benny Hall” transforma o inacessível, para muitos, do processo criativo em algo de verdadeiramente inconfundível. Muller, Godard e mais uns quantos, ligam-se, num sorteio animado – em que é dada ao público permissão de escolha – ao “Teatro Mau mas com Boas Intenções”. Há espaço para todos na desconstrução e se o público os escolhe, a dupla cumpre com assanho e convicção.

A hiperbolização sexual de Alvy e Annie é agora um tubarão morto. São os actores Ricardo e Paulo Lima quem o admite, logo nos primeiros minutos de “Benny Hall”, mas o espectáculo em si reúne, entre viagens e regresso ao texto por parte dos dois actores – que admitem que ensaiam em frente da plateia – o real, sob o espectro das sua farpas, e a dita hiperbolização, também, intelectual. Brincam com o facto e a fantasia de modo único e mostram uma nova forma de fazer do Teatro Novo algo de lúdico, mas atento, inteligente, mas flexível, apressando-se na definição do seu, inovador, estilo: Teatro Palhaçada.

Se o que Esticalimógama, com “Benny Hall”, fez no dia 27 de Março no Centro Cultural de Lagos não corresponde à mensagem de Dame Judi Dench, distribuída pelo auditório, que no último parágrafo versa: ”(…)Mas cada dia deveria poder ser considerado, de diversas maneiras, como um dia do teatro, pois cabe-nos a responsabilidade de perpetuar esta tradição de entreter(…)” então quem corresponderá?

Mais do que perpetuar, o que se viveu no passado dia 27, com uma sala quase cheia – e consta ser a nata dos espectáculos de Esticalimógama – foi a extensão dessa continuidade, mas para melhor, em inovação e entretenimento raros.



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