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Bonnie Prince Billy @ Teatro Maria Matos

O redneck que não chegou a sê-lo.

Os tempos áureos de Bonnie Prince Billy, esses em que encantou com discos como “There Is No-One What Will Take Care of You”, “Viva Last Blues” ou “I See a Darkness”, alguns com mais de 15 anos já, clássicos da folk, quando a folk ainda não era uma moda, quando gente como os Bright Eyes ou os Fleet Foxes ainda não eram sequer imaginados, esses tempos já lá vão. Não é certo que Bonnie Prince Billy tenha criado um mau disco, mas também não é verdade que tenha conseguido manter os níveis lá bem no alto.

Bonnie Prince Billy (ou Will Oldham) chega a este concerto no Teatro Maria Matos no passado dia 24 de Outubro com o estatuto de grande artista de culto, a sala não tardou a esgotar e o público está comprado logo à partida. O espectáculo tem, portanto, características tendenciosas, Prince Billy joga em casa, confiante, com certeza na vitória. Podia ter sido um redneck como muito outros, mas escolheu os caminhos da folk e espalha classe em palco. O espectáculo é simples e preenchido por poucas luzes. Piano, acordeão, contrabaixo, bateria e vozes fazem acompanhar o músico que faz desfilar canções que percorrem vários álbuns da extensa discografia.

É um concerto que vive de alguns momentos de rara beleza, folk bucólica com um extremo cuidados nos arranjos, ora mansinha ora mais intensa, momentos em que Prince Billy e companhia cantam alto, bem alto. Não acontece muita coisa em palco, há uns raros momentos em que o protagonista dança e sapateia, mas não mais que isso. Dirige-se poucas vezes ao público, mas sempre que o faz, faz com boa disposição. Esta é malta do campo que ainda não conhece uma ferramenta de marketing chamada Facebook (acreditem, nós próprios verificámos), são músicos de um outro tempo e ainda bem. É assim que faz sentido. Quem gosta, gosta, quem não gosta teria achado uma seca – felizmente não estiveram presentes adeptos forasteiros.

Fotografia por Graziela Costa.



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