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Capitão Fausto @ Capitólio (06.04.2019)

Boas Memórias.

À entrada do Capitólio um cartaz tem escrito a preto sobre um fundo branco: “Lotação Esgotada”. E está assim há alguns dias. “A Invenção do Dia Claro” é mais um passo seguro na carreira destes rapazes que montaram base no bairro de Alvalade, e agora chega a altura de ver (e ouvir) o que vale ao vivo.

É um disco de pormenores deliciosos, pelo que há alguma curiosidade em perceber como isso irá transparecer num palco bem composto. Teclados não faltam, com uma generosa bateria ao centro, devidamente ladeada pelo baixo de Domingos Coimbra e pela guitarra de Manuel Palha, e com Tomás Wallenstein a assumir o lugar central. Ao fundo há três telas brancas que ajudam a definir a variada paleta cromática que acompanha as várias canções.

Passam cerca de dez minutos da hora, quando o quinteto surge em palco e se joga de forma confiante a «Certeza», a primeira faixa d’”A Invenção do Dia Claro” e onde salta logo à vista (e ao ouvido) um toque tropical que, propositado ou não, está lá. Desde logo fica evidente que houve tempo para decorar as letras todas. Fica bem começar pelas apresentações, pelo que Tomás começa por aí antes de «Faço as Vontades», essa ode às mães, ser entoada por um Capitólio repleto. Por esta altura há que reconhecer que em palco as canções novas não ficam a dever nada às versões do disco.

«Santa Ana» marca a primeira investida a “Gazela”. 2014 pode parecer distante mas as palavras, essas estão na ponta das línguas de quase todos os presente e no final é Salvador Seabra e a sua bateria que assumem o comando, para um solo. “Capitão Fausto Tem os Dias Contados” foi o álbum em que os horizontes musicais dos Capitão Fausto se começaram a expandir. O álbum em que se começam a ganhar uma maturidade palpável e «Amanhã tou melhor» é um reflexo perfeito disso mesmo.

O regresso a “A Invenção do Dia Claro” ocorre logo de seguida com «Sempre Bem» e por ali ninguém se queixa. Wallenstein agradece enquanto se senta em frente ao teclado para tocar «Amor, a Nossa Vida», cheio de pulmão.

«Outro Lado» traz uma guitarra com uns laivos de funk porque os Capitão Fausto já nos mostraram que não gostam de se acomodar. Esta é a fase em que estamos mais tempo “afastados” d’”A Invenção do Dia Claro”. Com o fisco à porta na «Semana em semana» ou a aproveitar ao máximo com «Os dias contados» e as pontas soltas de «Corazón». Os teclados dão o mote e pautam do início ao fim de «Tem de ser»… “Sabes bem, tento evitar mas sou filho da mãe”; somos todos.

«Lentamente» mas com toda a segurança regressamos às canções novas enquanto que «Maneiras más», «Célebre Batalha de Formariz» e «A febre» são mais um exemplo perfeito do caminho que os Capitão Fausto vêm a percorrer. As canções mais antigas são mais pulsantes, com uma veia adolescente mais vincada; um reflexo perfeito do momento em que foram composta e prova viva da riqueza que a obra destes cinco rapazes vem a ganhar, álbum após álbum.

Se a homenagem à figura maternal n’”A Invenção do Dia Claro” reside em «Faço as Vontades», em o “Capitão Fausto tem os Dias Contados” está na magnífica «Morro na praia». Antes da saída do palco escutamos «Boa Memória» mas antes há ainda tempo para agradecer aos pais (fica sempre bem começar por eles) e a muitos outros que de um forma ou de outra contribuíram para que Tomás, Salvador, Domingos, Manuel e Francisco estarem ali. Sobre a «Boa Memória» é importante dizer que é a canção ideal para recordar aquelas histórias que alguém nos teve de recordar. Todos temos uma ou duas (ou três ou quatro) dessas, não é?

No encore, «Alvalade chama por mim» relembra-nos que “que a mocidade para nós chegou ao fim” (assim mesmo, dito com um toque de nostalgia) e para último fica o «Final», derradeira e bela canção do disco que motivou esta reunião no Capitólio e que tão boas memórias criou.



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