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Manel Cruz @ Capitólio (01.05.2019)

O 1.º de Maio foi dia para assistir aos mais recentes trabalhos do artesão musical Manel Cruz, num Capitólio que estava há bastante tempo esgotado.

Apesar dos hiatos com que a sua carreira se tem pautado, e das mudanças de personagem, Manel tem conseguido manter-se nos corações de todos quantos o idolatraram durante o fenómeno Ornatos Violeta.

Apesar do disco “Vida Nova” ter apenas um mês de existência, muitas das canções assinadas por Manel Cruz em nome próprio contam com diversos quilómetros de estrada, e três ou quatros singles têm tocado na rádio há diversos meses. De qualquer forma, além do interesse permanente do público na obra do artista, esta era a data de apresentação oficial do álbum. E Manel Cruz apareceu em palco bastante bem-disposto e comunicativo desde os primeiros instantes, não obstante os últimos resultados desportivos desfavoráveis, conforme sublinhou. Nem mesmo uma suposta avaria do seu teclado, logo ao terceiro tema lhe escureceu o espírito. Afinal tinha sido somente uma incompatibilidade gerada por um pedal de efeitos que Manel se esqueceu de desligar atempadamente.

Podia pensar-se que o concerto não se alongasse muito mais que o alinhamento do disco, mas Manel Cruz desceu à capital disposto a fazer valer a deslocação de todos ao Capitólio, incluindo a dele e de sua banda. Houve imenso tempo para temas em nome próprio que não foram seleccionados para “Vida Nova”, além de diversas visitas o material de Foge Foge Bandido, e inclusivamente para uma canção de Ornatos, apenas para saciar todos os paladares. Para o regresso à “toca do bandido”, o autor ressuscitou a sua figura tradicional, desfazendo-se da t-shirt conforme manda a lei. Nem mesmo nos momentos mais íntimos e calmos da noite, quando subia ao trono colocado num recanto mais recuado do palco (onde começou por interpretar «O Céu Aqui» e «Reencontro»), mudou a indumentária.

Focando-nos nas músicas desta obra debutante em nome próprio, fazem-nos sempre imaginar Manel Cruz como um verdadeiro artesão, conforme aludimos no parágrafo inicial (não em vão!), fechado indeterminadamente na sua oficina musical, onde experimenta, faz e refaz, e desconstrói aquilo que a sua genialidade vai debitando. Talvez esta sensação advenha da extrema natureza orgânica destas canções, algo que tem sido sublinhado por muito boa gente desde que esta aventura se iniciou. E há canções que continuam a ganhar corpo, a quem a estrada terá feito bem, como «Caso Arrumado», por exemplo, sobressaindo igualmente a nível poético (“E quando eu penso estar no caminho, um outro cruza o lugar / Lá vamos nós outra vez / Uma cabeça é nada / Duas são uma estrada / E um homem perdido é um amigo encontrado”).

Os múltiplos encores exemplificaram na perfeição a magnífica química que nunca parece quebrar entre Manel Cruz e o seu público, que teimava em não arredar pé. Muitos foram mesmo surpreendidos e voltaram da rua para a sala do Capitólio pois não parecia haver espaço para mais. Nem mesmo após «Capitão Romance» ter atracado deixaram de pedir mais.
Um monstro musical que claramente não precisa de amigos, dado que os tem em lato número.

Alinhamento:

– Do Buraco
– Como um Bom Filho do Vento
– Anjo Incrível
– Reboque
– Entre As Pedras
– Cães e Ossos
– Missa
– Ainda Não Acabei
– Algures Perto do Mar
– Caso Arrumado
– As Minhas Saudades Tuas (Foge Foge Bandido)
– Libelinha
– O Navio Dela
– Canção da canção triste (Foge Foge Bandido)
– O Céu Aqui
– Reencontro
– Meu amor está perto (Foge Foge Bandido)
– Beija-Flor
– A invenção da tarde
– Tirem o macaco da prisão (Foge Foge Bandido)
– A Cisma (Foge Foge Bandido)
– Coisas de manteiga
– Estou Pronto (Foge Foge Bandido)
– Ovo
– O Maluco

(encore)
– Onde Estou Eu?
– Vida Nova
– Canção da Canção da Lua (Foge Foge Bandido)

(encore 2)
– Borboleta (Foge Foge Bandido)

(encore 3)
– Capitão Romance (Ornatos Violeta)

(encore 4)
– Não Aldrabes (Foge Foge Bandido)



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