Cara de Boca Perdida

De 15 de Setembro a 15 de Outubro na Casa d’Os Dias Da Água. Temos convites duplos para oferecer

O ferro já não pesa nada. Encontra-se na alta atmosfera, sólido, rápido, feito de maldade. Mas o pensamento pesa. Nunca pesou tanto.
Henry Michaux

“Cara de Boca Perdida”, o novo espectáculo do grupo Cão Solteiro, baseado na obra de Henry Michaux, está em cena entre 15 de Setembro e 15 de Outubro na Casa d’Os Dias Da Água em Lisboa. Temos alguns convites duplos para oferecer.

A vida do belga Henri Michaux foi uma verdadeira aventura. Nasceu em Namur em 1899. Ainda muito pequeno, foi-lhe diagnosticada uma doença cardíaca. Estudou Medicina em Bruxelas, curso que logo abandonou partindo para a primeira de inúmeras viagens realizadas ao longo da sua vida.

Em 1922, a leitura dos “Cantos de Maldoror” desencadearam em si uma forte vontade de escrever. Começou a fazê-lo para a revista “Le Disque Vert”. Mudou-se para Paris, trabalhou como professor, secretário, começou a pintar, publicou em revistas vanguardistas como a “Commerce” e a “Bifur”.

Em 1926 começaram a aparecer os poemas de Michaux na revista “Nouvelle Revue Françoise”. No final dos anos vinte, viajou pelo Equador, na companhia do malogrado poeta Alfredo Gangotena. Começou a consumir com maior frequência vários tipos de drogas e dedicou-se ao estudo da mitologia hindu. Em 1929 morreram o seu pai e a sua mãe, deixando-lhe uma herança que lhe permitiria continuar a viajar durante vários anos. Criou a personagem Pluma e publicou a sua obra mais famosa: “Un Certain Plume” (1930).

Em 1955, depois de ter recuperado de uma grande depressão causada pela morte da sua companheira, Marie-Louise Ferdière, Michaux  adoptou a nacionalidade francesa. O consumo continuado de mescalina e haxixe, levá-lo-ão a colaborar, já na década de 60, num filme sobre essas experiências. Em 1972 iniciou colaboração com as edições Fata Morgana, expôs as suas pinturas, publicou um livro de desenhos. Morreu no dia 19 de Outubro de 1984 num hospital de Paris, em consequência de um enfarte.

Fiquem com a apresentação deste novo trabalho do grupo Cão Solteiro:

“O universo pessoal de Henry Michaux. Linha, palavra, ponto, espaço, traço, mancha. A opacidade do branco como um muro , uma nuvem , uma morte. O negro como espaço alucinante. O corpo que recusa a comida que cospe. Sobreposição infinita de transparências, olho gigante, em puro delírio a cabeça de Michaux avança sobre nós. Três mil folhas de enigmas a provocarem-nos até à exaustão.”

A peça conta com a encenação e cenografia de Nuno Carinhas, apoio dramatúrgico de  Manuela Correia e interpretações de Paula Sá Nogueira e André E. Teodósio.

PASSATEMPO

A rua de baixo, em parceria com a Casa d’Os Dias da Água, tem 3 convites duplos para os dias 26, 27 e 28 de Setembro (três convites duplos para cada dia). Quem quiser ir ao teatro de borla, apenas precisa de nos enviar um e-mail para rdb@ruadebaixo.com, indicando o vosso Nome, BI, Telefone e dia em que pretendem assistir à peça, bem como a resposta a esta simples pergunta:

Qual a nacionalidade de Henri Michaux?

Os primeiros leitores a responderem são notificados através de e-mail e têm o seu nome na bilheteira no espectáculo.

Contactos:

Casa d’Os Dias da Água
Rua D. Estefânia, 175, Lisboa
Tel: 213 140 352



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