FAUSTO MORREU

Novas tecnologias e delírios alimentados por alucinogéneos na Casa d’Os Dias da Água, em Lisboa até 15 de Janeiro.

FAUSTO MORREU, delírio entre o que é real e o que é virtual, é a nova encenação de Carlos Afonso Pereira, a primeira de um ciclo que pretende dar a conhecer um dos mais controversos autores britânicos da actualidade, Mark Ravenhill. Em cena entre 1 e 11 de Dezembro, de terça a domingo às 22 horas, e de novo entre 3 e 15 de Janeiro, na Casa d’Os Dias da Água, na rua D. Estefânia, em Lisboa.

Aconselhada para maiores de 18 anos, a peça conta-nos a perturbante história de um filósofo europeu, Alain, personagem inspirada no pensador francês Michel Foucault. Recebido nos Estados Unidos da América como uma verdadeira estrela pop, durante a sua permanência em Los Angeles decide transmitir num talk show televisivo as suas reflexões sobre o fim do Homem e da História.

Depois de extravasar estas inquietantes meditações, Alain parte para uma viagem pelo vasto território norte-americano, onde encontra Pete, personagem que se torna seu discípulo e acaba por ultrapassar o mestre, chegando ao ponto de questionar a própria existência das coisas.

Há aqui uma importante metáfora pois, ao mesmo tempo que Alain divaga por territórios desconhecidos da América, começa também a sua viagem pelo mundo dos alucinogéneos e da realidade virtual. Entre delírios informativos Alain deixa-se fascinar por Donny, igualmente obcecado, mas por lâminas e web cams, e que o faz mergulhar definitivamente no império das novas tecnologias e a questionar o seu próprio pensamento.

Para que o espectador assimile totalmente as ideias de fim do mundo e do poder da imagem que a peça sugere, Carlos Afonso Pereira decidiu enclausurar numa “caixa” composta por ecrãs quem se desloque à Casa d’Os Dias da Água e convidá-lo a visionar a peça de forma condicionada, para que se crie um universo que o coloca dentro da própria imagem e intoxicado pela mesma.

Existe ainda um segundo canal de comunicação onde se encontra a personagem criada a partir do texto de Ravenhill e que reage e fala de uma forma completamente autónoma do que se vê no ecrã. Esta personagem é assim uma confusa mistura dos protagonistas da peça, para que a crítica ao indivíduo da era global, incapaz de se relacionar com os outros, se faça.

No final, as perguntas que a peça deixa sem resposta são estas:

Estaremos cada vez mais a criar mundos próprios que ignoram e colidem com os que nos rodeiam?

O Homem está a evoluir ou a regredir?

Carlos Afonso Pereira nasceu em 1971 e, depois de um percurso variado como actor, sentiu a necessidade de projectar as suas inquietações criativas através da encenação. David Hare é o autor de eleição e, em 2002, encena “The Blue Room”, resultado da adaptação da peça “Reigen” de Arthur Schnitzler.

Em 2003 encena “Via Dolorosa” do mesmo autor, iniciando-se assim no teatro político. No ano seguinte continua a divulgar a obra de David Hare e leva a cena “My Zinc Bed”, peça que aborda a natureza das dependências humanas. Ainda em 2004 recebe os Prémios de Execução e Reposição O Teatro na Década, pelas encenações de “My Zinc Bed” e “Via Dolorosa” (respectivamente).

Mark Ravenhill nasceu em 1966. Autor de “Shopping and Fucking” (Royal Court, 1996), tornou-se num dos mais aclamados autores britânicos da década de 90. Irónico por natureza, controverso em palco, as suas obras são sexuais, políticas e mordazes, num constante questionar da nossa sociedade. Depois de “Shopping and Fucking” seguiram-se “Faust Is Dead” (1997), “Handbag” (1998), “Sleeping Around” (com Hilary Fannin, Stephen Greenhorn e Abi Morgan) (1998), “Some Explicit Polaroids” (1999), “Mother Clap’s Molly House” (2001) e “Totally Over You” (2004).

“FAUSTO MORREU” está em cena na Casa d’Os Dias da Água na rua D. Estefânia, em Lisboa, entre 1 e 11 de Dezembro, de terça a domingo às 22 horas, e de novo entre 3 e 15 de Janeiro.



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