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Coco Chanel

A maior revolução na moda do século XX.

Gabrielle Chanel é comparada, dentro do século passado, a Henry Ford e à sua relevância e influência na indústria automóvel. Embora, por um lado, o seu negócio fosse o do luxo, por outro democratizou a ideia de moda na inspiração que deu a todas as mulheres, mesmo àquelas que apenas poderiam imitar o estilo. Mas a imitação era uma das melhores formas de elogio, como a própria Coco Chanel chegou a afirmar durante a sua longa vida, dedicada à moda.

Uma heroína, uma resistente, deixou para trás um passado de possível e muito provável falhanço e constrói a sua própria história. Não tem medo, arrisca e tem valores absolutos de libertar as mulheres do ridículo papel decorativo que mantinham até ao seu toque de midas na indumentária reinante, tornando, ao mesmo tempo, as roupas num sinónimo de movimentos ágeis e livres. Um gosto que aparece para o desporto, para as primeiras idas à praia, guiar e ter um estilo de vida activo.

O mais brilhante é que Coco Chanel fazia reflectir na sua própria vida o que apregoava como lifestyle moderno. De todas as coisas que a criadora-celebridade introduziu no vocabulário de moda do século XX – beleza e tratamento, fragrâncias com a marca; o logótipo; o fim das cinturas apertadas; o fato saia-casaco (tailleur) – naquilo que são as suas inúmeras trademarks, vamos fazer um highlight à simplicidade do preto, usado em total look, mas que, no fundo teria diversos significados no contexto Chanel. Como nos indica Danièlle Bott em CHANEL Collections and Creations:

‘Porque é que Coco Chanel tinha tal fascínio pelo preto, um fascínio que durou a vida toda? O que alimentava este amor pela escuridão, o silêncio e a noite? Que memórias, que locais deixaram este impacto incomparável? Os seus biógrafos providenciam uma análise bem freudiana – “O preto é a sua infância, o pais que perdeu muito cedo. O preto simboliza o dormitório do orfanato em Aubanize onde foi abandonada depois da morte da sua mãe. O preto é o símbolo, a cor da morte, e talvez, ainda mais para si, a cor vestidas pelos camponeses de Limousin, na sua infância. Mas acima de tudo, é a cor do abismo em que a morte de Arthur Boy Capel, o grande amor que desaparece em 1919, a vem mergulhar.” ‘A solidão é a inabilidade,’ costumava dizer mas nunca a temeu. Ela gostava de reviver as suas memorias à medida que elas fluíam ante os seus olhos na passerelle. O preto estava tão entranhado na sua alma e era tão desejado para si, que o usava como leitmotif na sua casa para neutralizar o dourado, o bronze e os todos os ornamentos.’

Hoje, a sua paixão pelo preto está em toda a herança Chanel. Desde as colecções criadas por Karl Lagerfeld, às embalgens icónicas de bakelite dos cosméticos, incorporado no mítico logótipo dos dois c’s. Usamos preto para marcar uma elegância eterna mas também uma vontade de mostrar que estamos, a celebrar a vida sem nos esquecermos da morte. Nas palavras de Gabrielle Chanel, ‘Um preto tão profundo, tão nobre, que uma vez visto ficará na memória para sempre…’

CHANEL Collections and Creations, Danièle Bott on Thames & Hudson / Fashion, Christopher Breward on OXFORD History of Art ambos na www.amazon.co.uk /



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