“Delírio” | Maya Banks

“Delírio” | Maya Banks

O amor e o desejo podem ser tudo menos politicamente correctos

Literatura erótica é um rótulo arriscado. Os títulos podem soar duvidosos aos ouvidos mais sensíveis, a qualidade de impressão nem sempre é a melhor, o enredo da história nem sempre consegue prender o leitor mais exigente. Todos estes argumentos eram bem capazes de fazer sentido até há uns tempos atrás, antes de “50 Sombras de Grey” se ter tornado um fenómeno da literatura mundial, estando na causa de muitos divórcios entre casais pelo mundo fora. O motivo de discórdia? O sexo, esse assunto todos os dias um bocadinho menos tabu que, cada vez mais, reúne fãs literários que sabem do que gostam e sobre o que querem ler.

Delírio” (Bertrand Editora, 2013), da autora Maya Banks, é um desses livros que nos prendem os olhos e a mente, em que nada é deixado à imaginação do leitor: o segundo livro da trilogia Sem Fôlego é apresentado como uma verdadeira imagem visual, sem meios-termos e com uma bolinha vermelha no canto superior direito da cabeça de quem lê as descrições do amor louco e sedutor vivido entre as personagens principais, Jace e Bethany.

Mas este livro não é apenas descrição, loucura, fogo nos olhos e sensações tão bem descritas que quase podemos sentir. Para além de acordar o leitor menos sensível para o prazer, apresenta um personagem principal que é, ao mesmo tempo, herói e ser humano. Sim, o homem perfeito existe. Diz tudo aquilo que uma mulher quer ouvir e, o mais surpreendente de tudo, é que o diz a uma mulher problemática, imperfeita, humilde e simples. Porque Bethany não é nenhuma top model rica e exuberante.

Este homem dá esperança romântica às leitoras, uma prova literária de que o homem perfeito existe, pelo menos nos livros. Mas, como toda a perfeição tem uma exigência, Jace tem uma necessidade louca e extravagante de dominar a sua parceira a todos os níveis, desde a cama à roupa que veste. Até que ponto estaríamos dispostas a suportar estas condições, abdicando de uma vida pessoal para começar a fazer parte de outra pessoa?

“Delírio” faz justiça pura ao seu título: a sedução começa dentro de nós e espalha-se até à ponta dos cabelos, porque o amor não deixa de ser amor mesmo quando se confunde com o desejo e palavras menos doces. Tudo é possível e apaixonado quando é feito com vontade, e as palavras duras são a prova disso. Seja qual for a opção sexual de cada um, livros como este dão-nos coragem e vontade de pôr em prática os nossos desejos mais profundos e necessidades das quais até nos chegamos a envergonhar. Pessoas tímidas e acanhadas, preparem-se. Chegou a hora de se chegarem à frente, agarrarem nesse chicote mental e se afirmarem ao mundo. Porque o sexo, afinal de contas, também é feito disso.



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