“A Coisa Terrível que aconteceu a Barnaby Brocket” | John Boyne

“A Coisa Terrível que aconteceu a Barnaby Brocket” | John Boyne

Contra a normalidade, flutuar, flutuar

John Boyne, irlandês de nascimento, é autor de vários romances infanto-juvenis, mas foi com “O Rapaz do Pijama às Riscas”, livro adaptado ao grande ecrã em 2008, que viu abertas as portas da fama e da publicação sem freio.

Finalista do Irish Book Awards e da Carnegie Medal in Literature, “A Coisa Terrível que aconteceu a Barnaby Brocket” (Bertrand Editora, 2013) conta a história de Barnaby, um rapaz indesejado pelos pais logo poucos minutos após o parto. Barnaby teve o azar de nascer sob o signo dos Brocket, uma família normal gerida por pais respeitáveis mas extremamente enfadonhos, ambos solicitadores na firma Bother & Blastit, onde tratam de testamentos (o pai) e propriedades (a mãe).

Henry e Melanie, os primeiros filhos, saíram aos seus e abraçaram a normalidade. Quanto a Barnaby, a coisa prometeu correr mal desde o princípio: nasceu numa sexta-feira, à meia-noite, começando por desafiar umas das mais elementares e fundamentais leis da física: a da gravidade.

Os pais sentem uma vergonha enorme por ter um filho que flutua, qualquer coisa como um papagaio de papel humano, e evitam andar a passeá-lo pela vizinhança. Quando chega a hora da aprendizagem, colocam-no bem longe de casa, na Academia Graveling para Crianças Indesejadas, uma escola muito particular: foi fundada por um antigo director de uma prisão feminina; por cima dos seus muros há um mar de arame farpado; há câmaras de vigilância em todas as salas e detectores de metais em todas as portas – portas que são abertas às oito da manhã e fechadas a cadeado às três da tarde.

Barnaby Brocket aprende desde muito novo a viver com a solidão, tendo uma afinidade muito particular com os órfãos. Basta dizer que, da sua biblioteca, fazem parte livros como “Oliver Twist”, “As Regras da Casa de Sidra” ou “Jane Eyre”. Solidão essa que o irá ajudar quando, numa ida à praia, acaba inesperadamente por flutuar, dando início a uma viagem que o levará da América do Sul à Irlanda, para longe da sua família.

“A Coisa Terrível que aconteceu a Barnaby Brocket”, com deliciosas ilustrações de Oliver Jeffers, é uma fábula moderna sobre a diferença e, sobretudo, sobre a autodescoberta da felicidade, que não estará isenta de uma boa carga de desapontamento. Se escrevesse uma máxima numa T-Shirt, Barnaby provavelmente não hesitaria: conta a normalidade, marchar, marchar.



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