pauline-harmange

“Detesto os Homens” de Pauline Harmange

Não se pode viver com eles, nem sem eles

Não, as feministas nunca queimaram sutiãs.
E não, não detestam os homens.
Mas deveriam?

Detesto os Homens, de Pauline Harmange (Pergaminho, 2021), é um testemunho contra as atrocidades masculinas cometidas contra as mulheres, contra o fechar de olhos perante essas mesmas atrocidades, contra o privilégio dos homens vs as mulheres, apelando à união pela igualdade de género, que ainda está a anos de luz de tomar forma.

Há homens que aceitam perceber o motivo pelo qual a nossa relação com eles é enviesada, a razão por que os seus privilégios devem ser desconstruídos e que não lançam gritos estridentes mal nos ouvem dizer que os homens não prestam. Compreendem; aliás, concordam.

Detesto os Homens é o primeiro livro de Pauline Harmange, originalmente publicado pela Monstrograph, com poucas tiradas, que se tornou, imediatamente, motivo de polémica.

Sujeito a uma tentativa de censura por parte de um conselheiro do ministro da Igualdade de Género, em Setembro de 2020, viu as vendas dispararem, após os direitos serem adquiridos pela Éditions du Seuil e, posteriormente, pelas casas editoriais mundiais.

Muito mais que um livro banido pelo receio de apelar ao feminismo e misândria, é uma crítica não só em relação aos homens, mas ao patriarcado, às injustiças, ao sexismo.

Explora o feminismo moderno, o apoio ao movimento #MeToo, a irmandade feminina, o potencial por descobrir de cada mulher.

Uma demonstração real da lei de Ação e Reação de Newton, que afirma que “a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”. Pois:

Enquanto houver homens misóginos, homens que lavam as mãos disso e uma sociedade que os aceita e encoraja, haverá mulheres que cansadas, se recusarão a carregar ao colo relações desgastantes e, por vezes, até perigosas.

Detesto os Homens, de Pauline Harmange, ” (…) serve de desafio às leitoras para tomarem consciência das limitações que lhe são impostas por um sistema desigual e discriminatório, e aos leitores para se juntarem à sua luta pela igualdade.”. É um alerta, um recordatório de que a luta pela igualdade de género ainda não terminou, de que ainda há muito caminho a percorrer; e que para a situação evoluir, os homens deverão desfazer-se das vendas que lhes cobrem os olhos, deixarem de lado a sua vida privilegiada e aliar-se às mulheres na construção de uma sociedade mais equilibrada e justa.

Detestando os homens, não fazemos mal a quem quer que seja. Para além disto, não os detestamos de verdade, porque eles existem na nossa vida, são nossos irmãos, pais, colegas e amigos, de quem gostamos bastante.



There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This