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“Do Alto da Ponte”

De Arthur Miller, até 27 de Novembro no Teatro da Trindade.

Na célebre peça do dramaturgo norte-americano Arthur Miller, apesar de ter sido escrita em 1955, a sua actualidade é incontestável. Situa-se num mundo onde predomina a pobreza, pouca formação e os dramas da emigração ilegal, que ganham aqui grande expressão. Neste espectáculo confrontamo-nos com os anos cinquenta de Red Hook, Brooklin num mundo de mafiosos, emigrantes e pobres, abordando conceitos como a lei, justiça, honra e identidade.

Alfieri, advogado, conta a história de Eddie Carbone, um homem “perversamente puro”, que traça o seu caminho por causa do seu “amor” obsessivo por Catherine. Através da família Carbone (imigrantes italianos que vivem em Brooklin), entramos num universo onde se assiste ao ressurgir de nacionalismos egoístas e ao desabrochar de conflitos nas periferias das grandes metrópoles onde se reúne a mão-de-obra barata vinda de outras paragens.

A peça, dominada por uma linguagem que abrange o realismo e a grandiosidade trágica, mostra afincadamente a masculinidade em transição nos anos cinquenta. No entanto, este tempo que Alferi narra pode também ser o de agora, aquele tempo que pertence aos que da inteligência se banham e que até do alto da ponte conseguem observar a “miséria espalhada pelo mundo.”

Alferi com as suas palavras e actos remete-nos para uma reflexão interior sobre a inquietude que vivemos nos nossos dias no que diz respeito à atitude do homem perante a lei e a justiça. Segundo ele, “a lei não tem provado ser uma ideia muito feliz desde que os Gregos foram derrotados.” Através da história que nos conta, Alferi “deixa no ar” o ensinamento que nos diz que o caminho a seguir é sem dúvida o da moderação.

Um espectáculo a não perder no Teatro da Trindade em Lisboa, de 4 a 27 de Novembro.


Ficha Técnica

De: Arthur Miller
Encenação de: Gonçalo Amorim
Tradução: Ana Raquel Fernandes e Rui Pina Coelho
Apoio Dramatúrgico: Rui Pina Coelho
Cenografia: Rita Abreu
Desenho de Luz: Francisco Tavares Teles
Sonoplastia: Eduardo Brandão
Figurinos: Susana Sá
Adereços: João Rosário
Imagem: Rita Abreu e Hugo Moutinho
Actores: Aquiles Dias, João Villas-Boas, Jorge Mota, José Cruz, Maria João Pinho, Mónica Garnel, Paulo Moura Lopes, Pedro Pernas,
António Portela, Bernardo Rocha, Eugénia Cunha, João Pedro Mamede, Nuno Rodrigues, Sérgio Cunha



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