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O Banqueiro Anarquista

Fernando Pessoa no Teatro da Trindade.

Baseada no conto homónimo de Fernando Pessoa, o Teatro da Trindade apresenta até dia 13 de Dezembro a peça “O Banqueiro Anarquista”, com co-produção da companhia italiana Egumteatro e da companhia nacional A Causa.

Nesta encenação, Laura Nardi é a morte que acompanha a retrospectiva da vida de um banqueiro (Amândio Pinheiro), confrontando-o com palavras do ”Livro do Desassossego” à medida que ele lhe explica o seu percurso de ascensão social rumo à libertação.

Nascido na pobreza e revoltado com as desigualdades sociais, causadas por qualidades postiças, derivadas das ficções sociais, este homem tornou-se anarquista na sua juventude, acreditando nessa ideologia como solução para a conturbada situação social e generalizada descredibilização da classe política e das suas soluções tradicionais à esquerda e à direita, no Portugal de 1922 que, tal como o de hoje, vivia em crise.

Fernando Pessoa pretende neste conto apresentar o verdadeiro ideal anarquista que, ao ser seguido, conduzirá a uma sociedade realmente livre, satirizando os movimentos anárquicos que despoletavam num momento histórico – económico que assiste à consolidação de uma sociedade baseada na acumulação do capital. Na sua perspectiva, a única forma de construir uma sociedade livre partindo da actual situação é cada um construir, isoladamente, a sua própria liberdade, porque só assim se fragilizam as defesas burguesas e se reduz a sociedade inteira ao estado de aceitação das doutrinas anarquistas, sem criar novas tiranias, preparando então o mundo para a derradeira revolução social que implementará a igualdade e justiça entre todos os seres humanos.

Tendo o pobre mas lúcido jovem chegado a esta conclusão, a sua vida foi a partir daí direccionada rumo à libertação de todas as ficções sociais, em especial a libertação da ficção que mais controla a vida de todas as pessoas, o dinheiro. Concluiu ele que, enquanto existir dinheiro, a única forma de se conseguir libertação do seu poder e influência é adquirindo-o em abundância e foi assim que se tornou banqueiro, trabalhando com recurso a todas as artimanhas permitidas na actual sociedade rumo à aquisição de dinheiro.

No momento da sua morte compreendeu que cumpriu o seu ideal: libertou-se a ele próprio e ensinou os outros a fazerem o mesmo. No entanto, graças à falta de empenho e real vontade das pessoas que apenas querem que a liberdade, igualdade e justiça lhes sejam oferecidas sem estarem dispostos a moverem-se nesse sentido, viveu e morreu sozinho, deixando o mundo tal e qual como encontrou…

NOTA: No Teatro Maria Matos, o mesmo texto de Fernando Pessoa foi adaptado por João Garcia Miguel, numa peça que estará em cena de 10 a 15 de Dezembro, sempre às 21h30.



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