Doclisboa 2014
A 12ª edição do Doclisboa, a decorrer de 16 a 26 de outubro, traz à capital 250 filmes de 40 países, 40 estreias mundiais, 18 delas de realizadores internacionais, que testemunham momentos sociais e políticos incontornáveis.
O Doclisboa – Festival Internacional de Cinema propõe repensar o Documentário nas suas implicações e potencialidades: o cinema apresenta-se como uma prática que permite encontrar novos modos de pensar e agir, assumindo desta forma uma liberdade que supõe uma íntima implicação entre o artístico e o político.
Entre as 11 longas-metragens internacionais em competição, estreiam mundialmente Snakeskin de Daniel Hui, que ganhou o Prémio Revelação 2013 com Eclipses, The Sound Before the Fury, primeira obra dos franceses Lola Frederich e Martin Sarrazac, sobre o álbum histórico de Archie Shepp, Attica Blues, criado na sequência dos motins na prisão de Attica, nos EUA, em 1971; e Hit 2 Pass, também em estreia absoluta do canadiano Kurt Walker.
Destacam-se dois regressos muito ansiados, o do realizador filipino Lav Diaz com o filme From What is Before, vencedor do Leopardo de Ouro, em Locarno; e do chinês Wang Bing, que integra a competição internacional de longas-metragens com Father and Sons.
O público do Doclisboa pode ainda ver pela primeira vez, na Competição Portuguesa de Longas-Metragens, as estreias absolutas dos filmes Flor Azul, de Raul Domingues, Pára-me de repente o Pensamento, de Jorge Pelicano, Mio Pang Fei de Pedro Cardeira, Volta à Terra de João Pedro Plácido, A Lã e a Neve de João Vladimiro e João Bénard da Costa – Outros amarão as coisas que eu amei, de Manuel Mozos. Também em competição, é exibido o filme As Cidades e as Trocas, de Luísa Homem e Pedro Pinho, que estreou no FIDMarseille 2014.
Na outra secção competitiva do festival, “Investigações”, são apresentados como estreias mundiais e primeiras obras África 815, da espanhola Pilar Monsell e Together, da dupla russa Denis Shabaev e Anna Shabaeva. Inseridos na mesma secção, estreias internacionais de Belluscone. Una Storia Siciliana, de Franco Maresco, vencedor do prémio FIPRESCI na edição deste ano do Festival de Veneza e Brûle la Mer, de Nathalie Nambot (vencedora do Prémio Revelação em 2011) e Maki Berchache.
Na secção não competitiva “Riscos”, destaque para a estreia absoluta de Phantom Power, de Piérre Léon e estreias internacionais de Homo Faber, do realizador suíço Richard Dindo, Duras et le Cinéma, da francesa Dominique Auvray e I Resti di Bisanzio, do italiano Carlo Michele Schirinzi. Outras estreias absolutas são My Other Country, da sueca Solveig Nordlung, com exibição no programa especial “O nosso século XX – O Cinema face à História” e, na secção “Heart Beat”, a estreia mundial de Fado Camané, de Bruno de Almeida e de Ilusão, de Sofia Marques.
A edição deste ano é dedicada ao finlandês Peter von Bagh, que faleceu no dia 17, e o seu derradeiro filme, “Socialism”, encerra o festival, ao qual esteve intimamente ligado e do qual foi presidente do júri em 2011. Também o seu penúltimo filme, e o mais pessoal, “Muisteja/Remembrance” será projectado, na secção Riscos.
A abertura oficial tem lugar na Culturgest a 16 de Outubro com Maïdan, que o bielorusso Sergei Loznitsa filmou “a quente” durante as manifestações na praça de Kiev. O filme acompanha o desenrolar da revolução: de comícios pacíficos de meio milhão de pessoas, na Praça Maïdan, às batalhas de rua sangrentas entre os manifestantes e a Polícia de Intervenção. Um retrato de uma nação a despertar, redescobrindo a sua identidade. Maïdan é uma tela cinematográfica que conjuga o estilo de realização clássico e a urgência do documentário.
O festival vai estar presente em toda a cidade, da Culturgest ao Cinema City Campo Pequeno, do Cinema São Jorge à Cinemateca Portuguesa e ao Cinema Ideal, do Museu da Electricidade ao Cine-Teatro da Academia Almadense, da Galeria Palácio Galveias ao Lux Frágil.
O programa pode ser consultado no site oficial doclisboa.org
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