Doclisboa 2013

Doclisboa 2013

De 24 de Outubro a 3 de Novembro, Lisboa recebe a 11ª edição do festival internacional de cinema Doclisboa.

Referindo-se à edição do ano anterior do Doclisboa, Travis Jeppesen descrevia-o no Artforum como «a forum that’s going to interrogate the hell out of the notion that arises in your mind whenever you hear the term “documentary film”». Em 2013, o festival de cinema documental lança novamente o desafio e efectua uma reflexão sobre o encontro das artes visuais com o documentário, do cinema enquanto elemento de preservação da História e da relação entre a política e a ética, não fosse esta edição marcada por uma consciência activista que atravessa toda a programação.

Contando com um total de 244 filmes de cerca de 40 países, o festival divide-se em várias secções para além da competição internacional e nacional de curtas e longas-metragens, exemplificando a pluraridade do próprio cinema documental. A sessão de abertura realiza-se já na próxima 5ª feira no Grande Auditório da Culturgest com a exibição do filme «Pays Barbare» de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, contando com a presença dos cineastas. Com uma narrativa baseada no arquivo, o filme reflecte sobre a influência que a Itália fascista de Mussollini teve na Etiópia e o rasto de destruição que aí deixou. Já a sessão de encerramento cabe a «Manuscripts don’t Burn» de Mohammad Rasoulof, denúncia da repressão levada a cabo pelo governo iraniano. Recorde-se que o realizador, que desempenha este ano a função de presidente do júri, estará ausente do festival por se encontrar impedido de abandonar o país, à semelhança do que aconteceu com Jafar Panahi no Festival de Cannes em 2011.

Na competição internacional, assumem particular importância «‘Til Madness do Us Part» de Wang Bing, exploração da vida de vários pacientes de um hospital psiquiátrico na China com cerca de  quatro horas de duração e descrito como um dos filmes mais interessantes que integraram este ano a programação do festival de Veneza e «E Agora? Lembra-me» de Joaquim Pinto, vencedor do Festival de Locarno e aclamado em Vancouver, que explora uma vivência marcada pelo HIV e o VHC. A competição portuguesa é integrada por projectos como «Cara a Cara» de Margarida Leitão,  «A Mãe e o Mar» de Gonçalo Tocha e «Twenty-One-Twelve – The Day The World Didn’t End» de Marco Martins.

Nas secções paralelas, a retrospectiva dedicada a Alain Cavalier é um dos pontos mais fortes da programação deste ano, assim como a secção «Riscos», programa composto por Augusto M. Seabra e que integra filmes como «Allegoria della Prudenza» de João Pedro Rodrigues (produzido propositadamente para o Festival de Veneza) e «Redemption» de Miguel Gomes. Já a retrospectiva «Moving Stills» nasce da conjugação da fotografia com o documentário e debruça-se sobre trabalhos de realizadores tão diversos como Agnès Varda, Chris Marker e Ingmar Bergman. Merece também destaque a exibição do excelente «Berlin Alexanderplatz» de Rainer Werner Fassbinder e os filmes da secção «Cinema de Urgência».

A programação completa do festival pode ser consultada aqui e os bilhetes têm o preço de 4 euros.



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