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Efeito de Estufa em Santa Apolónia

Spank Rock, Bathroom Sex Tour @ Lux, Lisboa, 22 de Janeiro de 2010.

Foi com casa cheia e preliminarmente aquecida pelos Ninkasonik, DJ Teenwolf e DJ Hoff que Spank Rock inrrompeu em cena, depois de já ter dado aqui e ali uns ares da sua graça nas actuações anteriores. O nome do Tour de Spank Rock – Bathroom Sex – diz basicamente tudo. O público já estava em ponto de rebuçado quando a actuação começou, não sendo preciso passar muito tempo para o andar de baixo do Lux estar transformado num autêntico banho turco.

É quando entra em destaque que se repara que o MC Spank Rock ou Naeem Juwan não é exactamente o que se pode chamar o estereótipo de um MC. Franzino, com óculos e um visual demasiado cuidado para ser guetto, pode não ser o epítome visual do “rapper”. A voz é cáustica e nasalada, Kweli inspired, e foi devidamente treinada por Shaun J Period (o produtor do EP “Universal MAgnetic” de Mos Def), trabalho que se traduziu num rap rápido e off beat, inconfundível. O alinhamento apresentado não se limitou ao iniciático álbum “Yoyoyoyoyo” (2006), criado por Naeem com mais 3 amigos de Baltimore: Alex Epton o produtor conhecido como Armani XXXchange, o DJ Chris Devlin aka Chris Rockswell e o battle DJ, designer and motor mouth Ronnie Darko. Perfeitamente encadeadas, dançou-se freneticamente  com «Backyard Betty», «Sweet Talk» (em duo com um dos SonikNinja) e «Put That Pussy on Me», assim como as canções diabólicas do  EP “Bangers & Cash” (resultado da colaboração com o produtor e DJ Benny Blanco). Santa Apolónia teve direito a tudo, incluíndo «Happy Handing (no pun intended)», com muita interacção com um público possuído pelo diabo  extramemente dado ao dirty dancing que tão bem sumariza o booty-bass sound Spank-Rockiano.

Cada música é um exercício de estilo que lembra uma revolução sónica “à la DFA” com blips e míriades de efeitos sonoros tipo Space Invaders. Não faltaram à festa mashups deliciosos onde se podiam reconhecer clássicos intemporais de rock e punk, beats H-Town Screw, B-More Club, Philly Soul, Miami bass, NYC Electro, 80s dance pop,  misturados com First Wave Freestyle e algumas pirosadas disco (nunca «Dead or alive» soou tão bem a ouvidos bem treinados). Se o ambiente sonoro é irrepreensível, o mesmo não se podem dizer das letras das músicas. Foram cantados em unissono autênticos mantras sexuais. “Ass-rap” ou hinos ao sexo de tal forma chauvinistas que foram capazes de deixar com má consciência a mais não-feminista, de tal forma que tem que ir queimar sutiãs a seguir. “Ass-shaking competition champ, ooh that pussy gets damp, pump that — pump that– pump that amp” é apenas um exemplo da brejeirice cool de Spank Rock, sempre gráfico nas suas descrições. No final das contas, foi um concerto escaldante, intoxicante e irresistível que vale muito mais do que as letras das músicas (se querem ouvir letras bonitas ponha-se a ouvir música indie).

Se os Spank Rock parecem maus rapazes? Sim. Mas provavelmente é só show-off. Os amigos de entre outras “respeitáveis” senhoras conhecidas pela sua poderosa atitude feminista como Amanda Blank, Santigold e M.I.A, podem não ser reunir opiniões consensuais. Seja como for, conseguir pôr corpinhos (na maioria brancos) a mexer é uma missão tão louvável como qualquer outra, já o Little Richard dizia “Good booty, if it don’t fit, don’t force it”.



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