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Ego @ Teatro D.Maria II

Uma viagem do cérebro à emoção

“Ego” é o nome da peça com que o Teatro Nacional D. Maria II abre a sua nova temporada. Interpretada por António Fonseca, Catarina Lacerda e Gonçalo Waddington, a peça, que parte do texto de Mick Gordon e de Paul Broks, tem encenação de João Pedro Vaz e estará em cena entre 3 de Setembro e 11 de Outubro na Sala Estúdio.

Gonçalo Waddington interpreta Alex, um neurologista que não defende a ideia de identidade, mas sim que somos um feixe de reacções físico-químicas. Vai brincando e falando sobre a evolução do mundo, questionando o público sobre o que efectivamente vemos quando o observamos.

E vamos observando-o a brincar com uma máquina de teletransporte (num cenário de cariz simples, com uma interacção entre o palco e o vídeo). Surpreendemo-nos quando vemos um Alex em duplicado. Agora, ao lado da sua mulher Alice (protagonizada por Catarina Lacerda), a quem foi diagnosticado um tumor no cérebro. Este vai provocar alterações na mesma, fazendo com que perca a consciência da identidade daquele com quem partilhou parte da sua vida. Nesta altura surge Dereck (António Fonseca), mentor de Alex e também seu sogro, e que vai acabar por discutir com o seu genro a chave do problema.

Uma peça que começa por ser teórica sobre o que é verdadeiramente o cérebro e que de repente, confronta-nos com alguém que tem uma grave. Assistimos à evolução do que vai dentro da cabeça da pessoa, a perda da memória, tornando esta viagem bem angustiante quer para quem vive com a doença, como para quem acompanha e vê aquela pessoa que amamos e com quem vivemos tão bons momentos, a esquecer-se da nossa identidade, dos nossos bons momentos que foram tão bem vividos. Tudo por causa dum tumor.

Para o encenador João Pedro Vaz, “o cérebro é que é uma angustiante viagem emotiva” e é da opinião de que “o teatro é partidário do ego, um espectáculo é uma ostra central de percepção (tal como Virgínia Woolf refere-se ao ‘EU’)”.

Será que podemos voltar atrás no teletransporte que Alex utilizou para esta viagem que às tantas circunda muitos de nós?

“Como é que o quilo e meio de carne que constitui o nosso cérebro se transforma em mente?”, questiona um dos autores do texto, Paul Broks.

Estas são algumas pistas que deixamos a quem quiser passar pelo Teatro Nacional D.Maria II e assistir a uma peça que nos levanta questões sobre a nossa identidade.



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