Feist @ Fórum Lisboa

Ou como um romance começa e acaba numa noite.

Dois meses e meio depois do inicialmente previsto, e sem que a suposta banda de abertura (Jesse Harris and the Ferdinandos) desse sinais de vida, Leslie Feist veio até ao Fórum Lisboa dar provas das razões que lhe valem a denominação de nova sensação da pop minimalista.

Foi perante uma sala completamente cheia que Feist entrou discretamente acompanhada de nada mais que a sua guitarra, dois microfones e um sampler. Leslie Feist tem em palco uma postura verdadeiramente arrebatadora. Vestida de branco, debilmente iluminada e com uma simpatia contagiante, pela terceira canção tocada, já o Fórum se rendia a seus pés. Literalmente. A cantora pediu a quem estivesse na parte de trás da plateia que se aproximasse e se sentasse no chão diante dela, para desespero dos bombeiros, que meia hora antes se recusavam a colocar uma nova fila de cadeiras, pois punha em risco a segurança dos espectadores. Mas isso não importava à cantora, que queria apenas ter os meninos mais cool à sua frente.

Sempre comunicativa e empenhada em ter o maior número possível de participantes no espectáculo (talvez para compensar o facto de não ter banda de apoio), fosse através das tradicionais palmas ou com os assobios a acompanhar as músicas, Feist deu um concerto em grande parte concentrado no seu último registo de originais, “Let it Die”. O intimismo estava criado e a aura indie-pop no ar, com um desabrochar de canções que embalavam quem a ouvia, com a excepção de alguns temas mais “acelerados” (na medida do possível).

O sampler permitia-lhe trazer até ao palco colaborações inexistentes e reproduzir a sua própria voz, bem como os acordes da guitarra. A certa altura junta-se-lhe em palco os Apostle of Hustle, para reproduzir o tema «Inside and Out», dos Bee Gees, num registo totalmente diferente do original e que deixava mesmo a dúvida se seria o mesmo a quem não o conhecesse bem.

Por entre temas como «Gatekeeper», «Secret Heart» ou «Let it Die» passou-se uma hora de concerto. As palmas antecederam o previsto encore mas não previram uma hilariante cena, em que Leslie pede a alguém da audiência que lhe empreste um telemóvel para ligar à cunhada… porque tinha o apelido Lisboa. Segundos depois, toda a plateia estava a cantar o «Malhão, Malhão» com a distância de um oceano para uma caixa de mensagens canadiana. Depois do segundo encore ficou a promessa de um regresso da cantora a Lisboa, se a assistência prometesse voltar também. A resposta pareceu unânime.



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