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Fever Ray

Karin Dreijer Andersson é a voz surreal, obscura e majestosa que dá corpo, alma e mente ao primeiro álbum debutante do seu projecto a solo Fever Ray, com o mesmo nome.

A herança de The Knife  é perceptível nas sonoridades deste novo projecto de Karin, no entanto o ambiente de Fever Ray é mais intimista e transpõe na sua música a beleza fria e frágil dos longos Invernos suecos, privados de luz , o silêncio e a calma mórbida do campo intercalada em estados de daydreaming provocados por muitas noites sem dormir…

Em 2006, o duo de irmãos sueco Karin Dreijer e Olof Dreijer que formavam os The Knife iniciavam, sem nunca terem tocado ao vivo antes, uma digressão mundial e com concertos esgotados, apresentavam o aclamado terceiro álbum da banda “Silent Shout”. Esta primeira arrebatadora digressão da banda originou o DVD intitulado “Silent Shout: an audio visual experience”

Mais conhecidos pelo single de 2003 “Heartbeats”, do álbum Deep Cuts, ganham a atenção dos clubbers pela remistura de Rex the Dog, mas também pela versão acústica de José González integrada no anúncio televisivo da Sony (aquele com as bolinhas saltitantes que corriam pela cidade). Atingem a 9ª posição nas tabelas britânicas e o duo ganha reconhecimento mundial ao ser votado o melhor álbum de 2006 pela Pitchfork Media e ao ganhar seis prémios nos Swedish Grammy, em 2007, incluindo artista do ano. Os álbuns são todos lançados pela discográfica Rabid Records que o duo possui.

A não cooperação com os media e a cena musical são parte caracterizante da banda que em 2003, após ganharem um Grammy para melhor grupo pop do ano enviam duas pessoas para receber o prémio, vestidas com fatos de gorila, em forma de protesto contra a cerimónia e a dominação masculina na indústria musical.

As máscaras venezianas das imagens da banda ou os fatos unisexo com que se apresentam ao vivo, agem como filtros para que a atenção do público se focalize na música e não na pessoa atrás desta. Karin afirma “acho que a música por si só consegue direccionar tudo o que precisas saber, porque a necessidade de saber sobre a pessoa que a criou? A música é muito maior que a pessoa”.

O composto audiovisual complementa o espectáculo rematando um ambiente emocional intrigante, metamorfósico e sublime.

Em 2007 e após a digressão, o duo separa-se para se dedicar aos seus projectos a solo. Olof  muda-se para Berlim e insere-se na cena Techno , enquanto que Karin volta para Estocolmo.

Após dar à luz a sua segunda filha, Karin inicia o seu trabalho a solo num estúdio perto da sua casa no campo. A natureza e os seus elementos em particular a neve estimulam a luz entre os Invernos escuros. A ansiedade, a depressão e as experiências corporais são abordados ao longo do álbum unindo-se à rotina matinal Karin de se levantar as sete da manhã e ao estado surreal e exaustivo de pós-parto. O consciente e inconsciente aqui são apenas conceitos.

Oito meses depois nasce Fever Ray. Karin leva as suas músicas ao produtor Christoffer Berg (que já trabalhava com The Knife) e Van Rivers & The Subliminal Kid.

Para Karin a melodia vem antes de tudo, só depois a letra, esta pode surgir da vida do dia-a-dia, de algumas referencias como o filme “ Dead Man “ de Jim Jarmusch (um verdadeiro must see) ou  “The Red Squirrel” de Júlio Medem ou ainda pelo som de grupos como os Tomahawk ou High On Fire.

As letras são complexas e de interpretação livre, as melodias simples parecem tal como xarope deslizam lentas e espessas. A voz para Karin é como um instrumento; sintetizada e distorcida é manipulada até parecer desprender-se do corpo humano que a transporta. Por vezes soa como um homem. Exprime emoções profundas e toca-nos verdadeiramente e sem artifícios.

A digressão de Fever Ray está em marcha (e marcou presença no SONAR este ano). O visual do espectáculo é construído por Andreas Nilsson que já trabalhava com The Knife, mas Karin admite que não será tão high tech como as actuações do duo.

Olof e Karin estão ainda unidos por um outro projecto, compuseram a musica para uma peça de teatro baseada na obra de Darwin “The Origin of the Species” para a companhia dinamarquesa Hotel Pro Forma.  A peça intitulada “ Tomorrow in a Year “ estreia em Setembro deste ano no The Royal Danish Theatre.



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