rdb_filhounico2009_header

Filho Único

Dar à luz (e manter viva) uma Associação Cultural em Portugal não será, de longe, das coisas mais fáceis de fazer, mas aqui a máxima do it yourself é rainha.

Nós essencialmente gostamos de música. Penso que a nossa programação é elucidativa disso mesmo. Queremos atingir todos os públicos, não fazemos programação para o nosso umbigo, o nosso trabalho é dirigido às pessoas. O que não significa que tenhamos três mil pessoas por concerto.

Fundada por Nelson e Pedro Gomes, em Janeiro de 2007, a Associação Cultural Filho Único tem sido uma das grandes dinamizadoras da dita cultura alternativa desde então. Sempre em torno de uma grande paixão, a música. E foi também esta paixão que nos levou a ir ao encontro dos seus fundadores para tentar perceber o que os motiva a continuar, quase três anos volvidos.

Com o nome retirado de um livro, porque “soa bem, tem poder e carisma”, a Filho Único é hoje um pouco maior do que era na sua génese, com a entrada de Afonso Simões, André Ferreira e Carlota Ribeiro Sanches. Todos, excepto o Afonso, são também verdadeiros filhos únicos, outro pormenor que levou à escolha do nome. E porque “tem uma série de imagens e ideias que lhe são associadas com que simpatizamos e que preferimos deixar em aberto”.

Para percebermos um pouco melhor esta ligação e paixão pela música, convém ter em mente que, entre 2003 e 2006, Nelson e Pedro eram os magos por detrás da programação da Zé dos Bois, conhecido espaço do Bairro Alto, mas esta sempre esteve presente. “Eu [Pedro] passei, ao longo dos anos, por vários sítios. Escrevi notícias para a Pitchfork há uma década e qualquer coisa, co-fundei a webzine aputadasubjectividade, escrevi para várias publicações e jornais, trabalhei um ano a AnAnAnA, em 2004, trabalhei com o Nelson na programação da ZdB de 2004 a 2006, e faço música desde puto, sendo que neste momento toco há já alguns anos com o Quim Albergaria em CAVEIRA, e recentemente tenho tocado numa formação do Sei Miguel.” Já o Nelson, além da “cena da Filho Único”, toca nos Gala Drop.

Os objectivos iniciais da Filho Único continuam a ser os de hoje e são simples, na verdade; “trabalhar a música que mais nos parece relevante e essencial para a compreensão de múltiplos factos e questões de hoje e de outros tempos; apoiar a música que se rege por propósitos criativos esteticamente progressivos; contribuir para a divulgação séria de todos os heróis do som. Integrar estas músicas mais criativas e arrojadas de outra forma na vida das pessoas.”

Dar à luz (e manter viva) uma Associação Cultural em Portugal não será, de longe, das coisas mais fáceis de fazer, mas aqui a máxima do it yourself é rainha e não se “trabalha directamente com fundos estatais”, o que seria a solução mais imediata, e não o fazem “por postura em relação a uma data de assuntos que têm que ver com gestão estatal da cultura. Em alguns casos trabalhamos com instituições, o que facilita algumas questões financeiras e dá-nos outras possibilidades logísticas e programáticas, mas regra geral trabalhamos de forma completamente auto-suficiente.”

Sempre com os olhos postos no trabalho que será feito, acham que “não faz sentido neste momento do nosso percurso estar agora a hierarquizar nada [do que foi feito]. Relativamente a grandes ambições futuras o melhor será irem vendo o que vai acontecendo, porque vamos continuar a evoluir gradualmente, a única maneira de fazer as coisas bem, tentando trabalhar cada vez melhor, tendo em vista chegar a mais pessoas com as nossas programações.” Até porque “surpresas não se contam”.



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This