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Frankie Comos + Ian Sweet @ ZDB (14.04.2019)

Noite de dose dupla de indie pop na galeria da Rua da Barroca, com uma sala cheia de energia para receber dois nomes ascendentes na referida cena musical.

Jilian Medford representou sozinha em palco o seu projecto Ian Sweet, fazendo-se acompanhar somente de um portátil que foi debitando os ritmos das canções. Algo que lesou ligeiramente a amostra da sua sonoridade, pelo menos até ao último par de temas, ao longo dos quais contou com a enriquecedora presença da secção rítmica de Frankie Cosmos para dar todo um outro colorido às suas canções pueris, reproduzindo o formato trio com que Ian Sweet normalmente actua. O alinhamento da artista de Los Angeles foi divido irmãmente entre os dois discos que, até à data, constituem a discografia da banda: “Shapeshifter”, de 2016, e “Crush Crusher” editado no ano passado.

Era chegada a hora do agrupamento encabeçado por Greta Kline regressar a palcos nacionais, após a passagem por Paredes de Coura no Verão passado. Movendo-se dentro da mesma corrente musical que Ian Sweet, o facto de se surgirem em palco como quarteto provoca outro tipo de impacto, permitindo aguçar as emoções que as canções vão emanando. Apesar de confessar-se adoentada, Greta comprometeu-se, desde o primeiro segundo, a gritar por nós se fosse necessário. Tudo para suplantar uma rouquidão que, na verdade, nem era muito perceptível. Se os Ramones ficaram conhecidos por fabricar músicas com 3 minutos, Frankie Cosmos arrisca-se a entrar para a história como a banda das canções de 2 minutos. Uma singularidade que lhe permite tocar mais de 20 composições num concerto, sem que possa dizer-se que o mesmo tenho sido longo.

A meio do concerto, houve tempo de antena para o baterista Luke Pyenson (ele que, além de baterista, escreve crónicas sobre comes e bebes para jornais como o Boston Globe ou o Washington Post) proferir um discurso num português bastante satisfatório, onde recordou com gosto o concerto decorrido no referido festival minhoto. Curiosamente, apesar da amostra ser limitada pelo cariz intimista da sala da Zé dos Bois, muita gente ergueu o braço para sinalizar que também tinha estado no concerto de Frankie Cosmos no Festival Paredes de Coura em Agosto.

Entre as duas dezenas de músicas que ecoaram no aquário da ZDB destaque para «Sinister», «Fool» e especialmente «Being Alive», tendo esta última motivado um digno coro por parte da plateia, mostrando que todos nos sentimos… em baixo de quando em vez. Greta Kline, que de permeio executou dois temas sozinha em palco, arriscou ainda a trazer canções a estrear na bagagem. Por lógica serão temas que pertencerão a “Haunted Items”, uma colecção de novas peças que Greta Kline tem escrito ao piano e lançado parcialmente nas últimas semanas. Apesar da composição original ao dito piano, a banda arriscou uma nova roupagem de «Tiles» que soou bem, e fez sentido porque a vocalista de Frankie Cosmos afirmou ter passado o dia vidrada nos azulejos lisboetas. Ou, pelo menos, naqueles que ainda não foram furtados.

Alinhamento:

IAN SWEET

– Bug Museum
– Spit 
– #23
– All Skaters Go to Heaven
– Born Good
– Hiding
– Holographic Jesus
– Your Arms Are Water

FRANKIE COSMOS

– Correctly
– Apathy
– On The Lips
– Sinister
– Cafeteria
– Accommodate
– Ballad of R & J
– Today’s Special
–  Same Thing
– Jesse
– Young
– Being Alive
– Duet
– Tiles
– I Do Too
– Leonie
– Outside With The Cuties
– Is It Possible / Sleep Song
– Fool
– Too Dark



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