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Galeria Santa Clara

A definição diz que uma galeria serve para guardar objectos de arte ou para um passeio. O nome assenta-lhe bem.

As vizinhanças acabam por fazer os locais. E falar de vizinhos porquê? O Galeria Bar Santa Clara é um bar e uma galeria por isso falar dos vizinhos para quê? Digamos que se calhar não é bem assim.

Para quem é de Coimbra, passou pela cidade ou conhece sabe que Santa Clara não é bem o primeiro sítio que alguém se lembraria para ir tomar café. Ou beber um copo. Fica fora de mão e temos que atravessar o rio e é tão mais fácil ficar ali pela Praça. Pois que os vizinhos do Galerias justificam o passeio, dão razão ao passeio, são o passeio em si. Nem todos os sítios da cidade se podem gabar de ter como vista o postal da cidade. Que em fim de tarde, como este que se passa aqui a escrever sobre isto, permite ver o pôr do sol a descer pela encosta da cidade. O passeio permite atravessar o rio, dar de caras com o Convento de Santa Clara recentemente restaurado e aberto ao público, no fim da rua visitar os amores de Pedro e Inês olhando do lado de fora da cidade lá para dentro.

Mas isto é agora que a cidade cresceu e abraçou o Galerias. Em Junho de 1993 as coisas não seriam bem assim e a vista, apesar de sempre lá, não tinhas um enquadramento à sua altura. Agora a esplanada é um pequeno oásis da cidade de dia e de noite. Mas de uma forma mais abrangente o local sempre uma postura de “mais que a soma das partes” sem competição séria na cidade. Uma antiga casa reformada para ser galeria de arte, bar, esplanada, sala de concertos. Quase tudo o que se quiser colocar lá dentro. As pessoas são simpáticas, a música ambiente sempre bem seleccionada e é quase tudo familiar. Andamos pelas divisões da casa e podemos sempre escolher uma cadeira, um sofá, um puff. Se for Verão podemos sempre ir para perto da ventoinha fazer companhia ao gato preto e branco que costuma andar sempre a dormitar pelas cadeiras. Ou relaxar na esplanada rodeada de jardim quando a temperatura convida. Se for Inverno fazemos como o gato e ficamos perto das salamandras, mas claro o sofá de veludo azul é dele. Podemos explorar a carta dos chás. Num recanto mais privado ou no meio de muita gente. Aproveitar e espreitar a exposição da altura. Ouvir a música ao vivo. Explorar o conceito do mês, porque os meses costumam ser devotados a temas. Por agora andamos todos a percorrer o mundo à boleia, desde o Irão ao Brasil, passando por Cabo Verde e próximo mês, próximo destino. O Galerias cresceu na cidade apesar de ter estado sempre do mesmo tamanho e de longe passou a estar bem no centro.

É deles o objectivo de aproximar a arte das pessoas e contribuir para o enriquecimento da comunidade. E assim o é. As coisas são tão familiares que a arte que lhes forra as paredes uma parte da identidade. Os seus visitantes são convidados a partilhar, são incitados à curiosidade desde o lado de fora. Ninguém lhe adivinha o conteúdo à vista da pequena porta exterior. Mas uma vez lá dentro dificilmente não se regressa.



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