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House of Lords @ Musicbox | 27 de Fevereiro

Uma previsível celebração.

Não há outra sala assim. Nas últimas semanas, o Musicbox recebeu o soundclash que juntou Sam the Kid e Mundo Segundo no mesmo palco, em amigável batalha, a folk tão bucólica como desviante dos Megafaun e, por fim, o hardrock dos House of Lords, veteranos prestes a comemorar o quarto de século de edições. Esta visita visou a promoção de “Big Money”, o oitavo de estúdio da banda de Los Angeles. O público, mais velho que o habitual, recebeu os norte-americanos de forma fria, mas foi-se entusiasmando com o avançar do concerto. O falso arranque que se deveu a alguns problemas com o baixo de Chris McCarvill ainda nos fizeram temer um concerto penoso, mas a coisa resolveu-se rapidamente e chegámos à conclusão que a reacção fria de James Christian, a voz que canta o tempo praticamente todo de olhos fechados, não foi mais do que resultado da frustração do momento. Foi um concerto de fim de digressão, um espectáculo de celebração e comunhão – “no fim vamos aí ter convosco para bebermos uns copos e falarmos um bocado”, disse o líder dos House of Lords. Esta música tem o modelo gasto, vale mais pela celebração do que pelos caminhos que tenta desbravar. E no que interessa, a celebração, teve tudo: riffs reconhecíveis, solos eficazes, os hinos e as “baladuchas” da praxe. Tudo tocado e cantado com uma imensa vontade. Na verdade, os problemas técnicos foram o grande desvio da noite. Tudo o resto foi previsível.

Na primeira parte, os Affäire apresentaram-se como a banda “que nasceu tarde em relação ao tempo”, mas que quer representar Portugal nessa missão que é levar o sleaze-rock e o street rock pelo mundo fora. Não há nada que os distinga particularmente, mesmo que a passagem por este palco esteja longe de penosa. Na verdade, o que realmente distingue os Affäire de qualquer outra banda do mesmo género em português é o facto de existirem, o que é uma pena, porque, para se destingirem não só no seu campeonato particular, o do sleaze, como no geral, o hardrock/heavy metal, bastava cantar em português.  Fica a questão: Porque é que nas sonoridades mais pesadas não é costume termos uma banda a cantar na língua de Camões?

Reportagem fotográfica por José Eduardo Real aqui.



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