Jens Lekman no Lux

Jens Lekman @ Lux (28.06.2013)

Sei o que é o amor

Poucos conseguirão falar do amor, sobretudo das suas desavenças, desencontros e esperanças (falsas ou não), com o espírito melancólico, a urgência de festa e o sentido de humor de Jens Lekman. Quatro anos após a sua estreia em Portugal, que incluiu visitas a Coimbra e ao Porto depois de ser ter visto livre de uma Gripe em modo A, o músico sueco apresentou-se na Grande Alface pisando o palco do Lux Frágil. Desta vez sozinho – na anterior visita tinha trazido Viktor Sojberg -, vestindo roupas não tão vistosas, com muito menos cabelo e usando um “cap” que parecia querer esconder alguma melancolia mais profunda.

Melancolia que ficou bem expressa em “I Know What Love Isn`t”, disco editado este ano e que sucedeu ao festivo “Night Falls Over Kortedala”, onde éramos convidados a entrar num renovado Barco do Amor para um cruzeiro romântico em digressão pelos mares e oceanos deste mundo. O concerto do Lux ofereceu um pouco destes dois mundos, navegando entre a intimidade e a festa, sempre com muita conversa, sentido de humor e um convite à dança.

Na primeira parte, em que Lekman se fez acompanhar por uma guitarra solitária – <não tive dinheiro para trazer uma banda, por isso terão vocês de ser a banda>  -, houve tempo para muita conversa e histórias sobre conduzir carros velhos a falar de amor e romance – “I Know What Love Isn`t” -, mensagens de esperança para corações partidos – “The End Of The World Is Bigger Than Love” -, um elogio aos princípios de igualdade, mesmo que tenham provocado um desencontro com uma bela rapariga – “Waiting For Kirsten” – e uma viagem a bordo de um perigoso táxi rumo à desejada inconsciência – “Black Cab”.

Lekman falou dos seus tempos áureos de artesão, quando se dedicava a fazer umas chaves douradas que vendia depois nos concertos, começando com “Golden Key” uma festa onde recorreu a samplers para decorar, com papel de cenário vistoso, as paredes de fundo do palco. E onde mostrou, também, engenho na arte de manipular sons e uma pequena máquina de batidas. A festa fez-se com  clássicos como “The Opposite of Hallelujah”, “A Higher Power” – Lekman em modo DJ -, “An Argument With Myself” – onde Lekman se trocou todo com as letras: <são muitas palavras!> – ou “Sipping On The Sweet Nectar” – com a amiga Lisa sempre por perto -, com o nosso sueco de eleição a dar o corpo ao manifesto.

Numa noite de balões negros, Lekman mostrou do que é feita a alma de um trovador numa incansável demanda por uma paixão eterna. Para quem queira saber o que é o amor – ou pelo menos viver a tentar –, Lekman e os seus discos serão sempre a melhor enciclopédia. Obrigado Jens!

 



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