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Kings of Convinience no Coliseu

O produto norueguês com mais sucesso em Portugal depois do Bacalhau regressou a Lisboa no dia 4 de Novembro.

“Esta é a 4ª vez que estamos a tocar em Lisboa. Na capital do nosso país apenas tocámos 3 vezes”. Quem o disse foi Eirik Glambek Bøe, no decorrer do concerto que marcou o regresso dos Kings of Convinience (KOC) ao nosso país e que serviu de apresentação de “Declaration of Dependence”, último registo do projecto que partilha com Erlend Øye. Perante um Coliseu praticamente esgotado, os noruegueses não desiludiram e proporcionaram um espectáculo recheado de excelentes canções e episódios que provam a empatia que o público português nutre pela banda norueguesa.

É preciso regressar a 2002 para contar a história que une os KOC e o público português. Um ano após a saída do disco de estreia, “Quiet is the New Loud”, os noruegueses tocam pela primeira vez em Portugal no Hype @ Meco (que saudades desse tempo), um festival marcado pelas sonoridades mais electrónicas. Dois rapazes com guitarras surgem em palco e apresentam canções simples, melódicas e com uma vibração que surpreendeu muitos.

Ao contrário de outros projectos os KOC não primam pela regularidade de edições discográficas e concertos. Embora mantenham este projecto em conjunto, cada um seguiu o seu caminho. Enquanto Eirik Glambek Bøe seguiu uma carreira artística menos preenchida, dedicando algum tempo à Psicologia (a sua formação académica), Erlend Øye tornou-se uma estrela. Em 2003 iniciou a sua carreira a solo editando “Unrest”. Iniciou uma carreira como DJ percorrendo todo o mundo, compilou uma edição de “DJ-Kicks” e recentemente formou com os alemães Marcin Oz, Sebastian Maschat e Daniel Nentwig, “The Whitest Boy Alive”, projecto que lançou este ano o segundo disco de originais, “Rules”.

Esta postura na vida é espelhada em palco. Enquanto Eirik Glambek Bøe é o mais “certinho” e “calmo”, Erlend Øye é exuberante, dança, passeia pelo público e tem aquela postura de geek superstar, com alguns tiques de vedetismo escusados como por exemplo a afirmação “Odeio fotógrafos” que proferiu a meio do concerto quando foi permitido fotografar. Embora Eirik ainda tenha tentado suavizar a questão dizendo que o seu colega não gostava era de ser fotografado, Erlend voltou ao ataque: “já não têm fotografias suficientes? … vão para as vossas redacções fazer aquilo que têm para fazer (…) as pessoas não pagam para assistir a um concerto para serem perturbas”. Minutos antes, Erlend Øye passeou pelo público e o cabo do seu microfone passou pelo meio de toda a primeira plateia. Será que pagaram para terem um cabo a passar junto dos seus pescoços?

Incidentes à parte, o concerto dos KOC foi tudo aquilo que se esperava. O novo disco assenta que nem uma luva no seu reportório e algumas das suas faixas permitem interpretações ao vivo bastante interessantes como foi o caso da versão funk de “Rule the World”. O duo contou com duas preciosas colaborações – ao violino e contrabaixo – que proporcionaram momentos musicais sublimes e não se esqueceu dos “clássicos” como “Homesick”, “Misread”, “I Don’t Know What I Can Save You From” e “I’d Rather Dance With You” que serviu de mote para uma invasão de palco por parte do público à semelhança do que tinha acontecido na Aula Magna na anterior passagem dos noruegueses por Portugal. O concerto terminou com Erlend a passear pela plateia do Coliseu ao som de “Get up, Stand Up” de Bob Marley.

Uma última nota para o público. Ao contrário das anteriores passagens da banda por Portugal, numa época em que eram considerados “alternativos”, este concerto contou com o apoio da TSF e da SIC Noticias. Associar este projecto com um público de classe média, alta foi um aposta totalmente ganha por parte da promotora. Assim, para além dos fãs de sempre dos KOC, a plateia estava recheada de fatos e gravatas. É sempre positivo.



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