Hype@Meco 2004

Mais uma vez, a música de dança esteve em grande plano na última edição do Festival do Meco. Nós estivemos lá e contamos tudo

Foi no passado dia 10 de Julho, na Herdade do Cabeço da Flauta, que se realizou mais uma edição do Hype @ Meco.

É possível que este seja o festival de música de dança com mais expressão em Portugal e que já começou a criar um saudável culto em torno do conceito que junta num mesmo espaço no meio da mata, os vários estilos da música de dança em diversas tendas e num palco principal apostando na diversidade das novas tendências.

Se a edição do ano passado tinha Björk como cabeça de cartaz e levou milhares de pessoas de propósito até ao Meco, a edição deste ano não tinha um “grande” nome a chamar a atenção, mas sim um conjunto homogéneo de referências que, embora tenha levado uns milhares de pessoas a menos, de certeza que levou as pessoas que realmente estavam interessadas em conhecer e ouvir aquilo que de melhor se faz na electrónica mundial.

A presença de menos pessoas, embora não tenha agradado a organização, agradou de certeza quem esteve presente. Esqueçam as filas de horas para comprar uma cerveja do SBSR e o estado deplorável das casas de banho. O festival do Meco provou que nestes recintos existe uma capacidade máxima para que quem lá esteja se sinta bem. O que aconteceu no SBSR não deverá repetir-se.

Algo que também não se deverá repetir é o pagamento de 1,5€ para pôr o carro no parque. Para além de não existir nenhuma alternativa para estacionar o carro, é um pouco injusto para quem já pagou 33€ pelo bilhete ter que estar a gastar ainda mais dinheiro. Espero que este conceito não se extenda a todos os festivais. Pelo contrário, a venda de bebidas que não a cerveja (vodka, etc), é uma opção de louvar e em nada irresponsável. Quem anda nestas coisas já tem idade para saber o que faz e a existência deste tipo de bebidas só valoriza o festival e cria um escape a quem não gosta de cerveja. Este sim, é um conceito a repetir em todos os festivais.

Quanto à música, o Hype esteve em grande nível. A primeira experiência musical do fim da tarde foi o Trio Mocotó que actuaram para uma tenda Zone quase cheia. Uma perfeita simbiose entre o samba e as sonoridades mais tradicionais e tribais do Brasil, numa grande festa da música, cheia de alegria, cor e ritmo. A recepção do público foi excelente e o concerto serviu de pontapé de saída para uma noite cheia de música e de dança.

No palco principal, os London Electricity abriram as hostilidades e, do pouco que consegui ver e ouvir, mostraram que o drum n’ bass é muito mais do que um jogo de pratos e de discos. Uma verdadeira banda a criar todos os sons ao vivo, trazendo o melhor do drum n’ bass londrino num concerto muito aplaudido pelos poucos presentes a essa hora em frente ao palco principal.

Os Moloko foram sem dúvida a grande atracção do festival e conseguiram captar a atenção de quase todos os que estavam no recinto. O concerto foi muito bom, o melhor que trouxeram a Portugal nos últimos anos. Passou por todos os grandes hits pecando apenas pela não inclusão de novos temas na “setlist”. A banda em palco mostra uma enorme ligação com Portugal, fruto da grande “rodagem” que têm tido nos últimos anos. Foi sem dúvida um dos momentos altos da noite.

Fernanda Porto iniciou a sua prestação ainda os Moloko estavam em palco. Pelo que consegui assistir, o concerto foi bastante morno, tendo-se mantido fiel ao registo em disco. Os Kaleidoscópio conseguiram manter as centenas de pessoas na tenda Zone, presenteando todos com um drum n’ bass muito bem vocalizado e muito ritmado. Na tenda Providers, os ritmos eram muito mais pesados, mas o ambiente mantinha-se muito festivo (especialmente devido à actuação de um tipo de gravata, que sinceramente não sei quem é). Mas a grande oferta nas outras tendas e no palco obrigou a fazer escolhas.

Depois dos Moloko o palco foi invadido pela Big Band de Matthew Herbert que, com a colaboração da sua esposa Dani Siciliano, criou um momento muito especial mas incompreendido pelos milhares que se encontravam no recinto. Um concerto cativante mas possivelmente desenquadrado no cartaz que se tornou especial devido à grande comunhão entre o público e a banda.

Uma tenda que não tive oportunidade de explorar foi a “Journeys” que recebeu os Jazzanova. Nas poucas vezes que passei por lá, a tenda encontrava-se despida de pessoas, muito devido a grande oferta nos outros espaços.

A minha noite terminou com a prestação de Peaches que pareceu-me um pouco “deslavada”, muito devido à falta de elementos ao vivo em palco. A irreverência até é engraçada, mas o público no Meco pedia muito mais do que isso àquela hora da madrugada.

Em suma, o saldo é muito positivo em quase todos os aspectos da organização. Um espaço muito bem cuidado, com todas as facilidades (embora não houvessem multibancos), concertos e prestações de grande qualidade e um público exigente e participativo que é sempre muito importante para o sucesso de um evento desta envergadura.

Acabo com uma sugestão à organização: porque não alargar o Hype @ Meco a todo o fim-de-semana? A festa principal mantinha-se da mesma forma, mas na sexta-feira e no domingo podiam acontecer várias actividades no âmbito do festival como por exemplo festas em bares da zona, after-hours nas praias e um chill-out no domingo à tarde na praia do Meco. É só uma ideia.

Para o ano há mais ….



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