deradoorian_header

Laurel Halo + Angel Deradoorian

20 de Maio 2011, ZDB

Foi um final de semana agitado o que se viveu pelos lados da Galeria Zé dos Bois, na Rua da Barroca. Quinta-Feira houve um soberbo concerto de Cass McCombs. Na sexta-feira, 20 de Maio, era a vez das senhoras Angel Deradoorian e Laurel Halo.

O concerto tinha início marcado para as 23h00. Porém, a essa hora apenas marcavam presença na ZDB o pessoal que por lá trabalha e os elementos que acompanham Deradoorian e Halo, bem como as próprias. Por aquelas bandas, inícios de concertos com algum atraso são normais e quem decide marcar presença joga com isso. O relógio já se aproximava da meia-noite quando Angel Deradoorian subiu ao palco acompanhada pela sua banda, composta por um baterista e uma baixista que para muitos deve ter chamado mais atenção pelo curto vestido que envergava do que propriamente pelos seus dotes musicais ou vocais (Deradoorian ia-se dividindo entre os teclados e a guitarra). Por esta altura era óbvio que a maioria dos que marcaram presença estavam ali para a ver. Já vão alguns anos desde a última passagem dos Dirty Projectors por aquela mesma sala e Deradoorian apresentava-se como a next best thing. A ocupação da sala cifrava-se pela metade, pelo que foi possível lidar melhor com o calor no interior do Aquário, até porque a noite se veio a revelar morna.

A actuação de Angel Deradoorian teve diversas passagens pelo EP de estreia, “Mind Raft”, lançado ainda no decorrer de 2009. Dos temas tocados por Deradoorian especial destaque para «High Road», que se revelou mais poderoso ao vivo em relação à versão do EP, muita por culpa da tensão gradual que ia sendo incutida pelos teclados. Foi também possível escutar o mais recente tema composto por Deradoorian, «Marichka», o resulto do split gravado com Albert McCloud e editado em Fevereiro deste ano.

A música de Deradoorian revela algumas ideias e construções interessantes mas parece que lhe falta algo, uma identidade própria. Admito que posso estar a escrever estas linhas algo influenciado pelo trabalho desenvolvido nos Dirty Projectors, mas goste-se ou não, esse facto não pode nem deve ser ignorado. Cabe a Angel Deradoorian provar que consegue dar esse passo em frente que a permita distanciar-se. O concerto da passada sexta-feira mostra que o potencial para o conseguir está todo lá. Aguardemos.

Com o final do concerto de Deradoorian, sem direito a qualquer regresso ao palco, verificaram-se alguns abandonos na assistência, o que veio comprovar a teoria que Angel Deradoorian era, para muitos, o prato forte da noite.

Laurel Halo foi a senhora que se seguiu. Se houvesse dúvidas relativamente à origem de Halo (norte-americana de Ann Arbor, no estado de Michigan), rapidamente ficaram desfeitas ao ver a t-shirt que Halo trazia vestida, plena de motivos provenientes da stars & stripes. A actuação de Halo consistiu na apresentação dos seus temas num formato próximo do de DJ set, quase sem direito a paragens entre os temas, retirados do seu álbum de estreia “King Felix”. Nota para a referência de Halo, incontornável nesta noite de sexta-feira diria eu, à previsão do fim do mundo, realizada pelo rádio-evangelista californiano Harold Camping, que parece que se enganou. A prestação de Halo, essa, primou pela competência mas pouco mais.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This