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Modalisboa | Estoril Dia 3

Reportagem do terceiro dia da Modalisboa. Venham mais Sábados assim.

O dia de Sábado prova que o design nacional está cada vez mais forte e coeso. Em tempo de crise na indústria têxtil, é espantoso que esta ainda esteja de costas voltadas para os criadores.

A tarde começou com o desfile de Aforest-design. Sara Lamúrias propõe para o Inverno 10 “Object Oriented”, uma pequena colecção de must haves que mistura funcionalidade e tradição. Uma imagem descontraída em objectos fundidos para partilharem funções. As malhas foram desenvolvidas em colaboração com a Universidade da Beira Interior. O vestuário que faz parte da história da nossa cultura – o capote alentejano – é reinterpretado.

Lara Torres apresentou a continuação da busca de respostas à sua visão de criação de moda. “Anatomia do Vestuário” é consequência dessa pesquisa – roupa como memória e a sua relação com o corpo. Esculturas habitáveis, como uma segunda pele, que distorcem a anotomia humana ao fixarem movimentos próprios de um corpo. A criadora mistura materiais como latex, lãs, couro e algodão, em cores que passam pelo preto, cinza e cor de cartão. De salientar o vestido em papel craft, numa colecção desequilibrada – ao contrário do habitual.

Joannas d’Arc dos nossos tempos – as armaduras da idade média foram o objecto de análise para a colecção da dupla White Tent. Uma colecção desportiva e depurada, pontuada com pormenores e materiais que derivaram da pesquisa: vestidos em “escamas”, peles perfuradas e malhas metálicas, tecidos raclados em variantes metálicas do prata ao dourado.

Tendo como mote a frase de Moliére “A grande ambição das mulheres é inspirar o amor”, Ricardo Preto regressa aos anos 40 para os projectar em 2020. Homem e mulher partilharam o mesmo conceito, cores e tecidos. Propostas clássicas e pretensiosas que desfilaram numa criação cénica à altura.

Em tempo de crise económica, Ricardo Dourado foi aos anos 30 procurar paralelismos com a situação actual. O designer pegou na criação espontânea e social, características dessa década, e interpretou-as. Uma silhueta oversize e fluída, aplicações de rendas, pelissados irregulares, tecidos em preto, amarelo mostarda e tons neutros.

Nuno Baltazar exibiu uma colecção de ADN inspirada na vida da marquesa Jácome Correia e estruturada em três linhas que reflectem os seus estados emocionais, as suas viagens e as suas paixões. “La Bohéme” reflecte o trabalho de atelier que o criador tem vindo a desenvolver. Vestidos austeros de referência histórica, drapeados, assimetrias, sobreposição de tule e folhos.

Para fechar a noite, Luis Buchinho apresentou no mesmo desfile a sua marca e o trabalho que assina para as malhas Jotex, parceria que dura há quase 20 anos. Duas colecções pensadas para a mesma mulher: afirmativa, dinâmica, moderna e cool. Formas geométricas e futuristas de modelação elaborada e exemplar, inspiradas nas montanhas nórdicas e na experiência táctil do gelo. Um ênfase muito especial para os volumes, com os quais Buchinho recria as mangas presunto. A paleta de cores conjuga preto, branco e cores frias. A colecção em nome próprio revelou um trabalho mais formal e estruturado, enquanto a Jotex mostrou formas mais simples e casuais, tirando partido de jogos gráficos através da mistura de cores, estruturas e pontos de construção.

Venham mais dias assim para a moda nacional.



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