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ModaLisboa | Estoril

História & Herança.

Como tem vindo a ser hábito nos últimos anos, Março é marcado por uma agitação atípica, uma excentricidade revigorante e muita criatividade nas ruas das cidades que envolvem a capital portuguesa. A ModaLisboa|Estoril – Lisbon Fashion Week – abre as portas aos designers e marcas nacionais e internacionais para apresentar as suas colecções de Outono/ Inverno 2009/2010.

“A ModaLisboa foi a primeira fashionweek fora do circuito das principais semanas da moda, como Paris, Milão, Londres e Nova York” como se orgulha de afirmar Manuela Oliveira do Gabinete de Imprensa Nacional da Associação ModaLisboa, acrescentando ainda que “a nível nacional foi a primeira plataforma a apoiar os criadores portugueses.”

Foi em 1996 que se constituiu oficialmente a associação ModaLisboa mas há já quase duas décadas que foi implementada enquanto conceito por Eduarda Abbondanza e Mário Matos Ribeiro. Em 1990, no Jardim do Tabaco, organizaram o primeiro ensaio do que é hoje a ModaLisboa numa sessão modesta, de fracos recursos, inserida nas festas da cidade. A faísca estava lançada e a moda em Portugal não foi mais a mesma.

Em 1991 é realizada a primeira edição oficial da ModaLisboa num evento que teve como palco o emblemático Teatro de S. Luiz no coração da capital. Ali se iniciou um percurso de desafios para eliminar a apatia e timidez que marcavam um meio que estava no início da sua história, história esta que tem sido em grande parte escrita pela mão da ModaLisboa.

Para além do seu foco principal, a energia da associação tem-se multiplicado na concretização de projectos paralelos ao evento principal, ligados a diversas disciplinas artísticas e culturais, como nos revelou alguns exemplos Manuela Oliveira: o concurso Sangue Novo que visou promover jovens criadores; o projecto + Portugal realizado em Barcelona com o propósito de demonstrar a versatilidade da arte portuguesa revelando a criatividade em diversas áreas tais como a moda, as artes plásticas e visuais, o design, a música e o artesanato; a abertura da loja ModaLisboa Design no Terreiro do Paço; a colaboração com a LojaDaAtalaia no Bairro Alto com a finalidade de criar um ponto de venda para a comercialização das criações portuguesas na ausência temporária de loja própria; destacam-se ainda os workshops organizados para criadores e profissionais do sector.

Contando já com 31 edições, a ModaLisboa é hoje um evento instituído no calendário nacional e internacional, onde os designers portugueses apresentam oficialmente as suas criações, e os novos talentos têm a oportunidade de emergir revelando também as suas criações à imprensa nacional e internacional, à indústria e aos compradores.

Cada edição da ModaLisboa vai para além do ritual de beleza, arte e glamour dos desfiles. É o momento em que os resultados surgem, o esforço é recompensado e os negócios se fecham. “A ModaLisboa é um espaço gerador de investimento e negócio (…) uma entidade geradora de riqueza e de saber.” Para além de fomentar a indústria da moda, a ModaLisboa contribui também para prosperar a economia e o turismo em Portugal com a movimentação de mais de 30 mil espectadores e cerca de 500 jornalistas. Quase podemos afirmar que quanto mais criativos os portugueses forem e mais reconhecida for essa criatividade mais rico será também Portugal…

Mesmo servindo de alavanca para a prosperidade do país uma unidade cultural é ainda em Portugal desprovida de apoios institucionais de valor real em relação às suas necessidades e ao seu impacto. Manuela Oliveira referiu à RDB que “a nível institucional temos obtido apoios que garantem a vitalidade da associação mas 70% do investimento é privado.”

Dificuldades à parte, e que são características de qualquer caminho de objectivos nobres, a ModaLisboa é um conceito, um caminho, uma plataforma para a moda criada em Portugal se revelar ao mundo e para o mundo se revelar a Portugal e todos evoluírem através da moda.

De 12 a 15 de Março realiza-se a 32ª edição da ModaLisboa|Estoril, na Cidadela de Cascais, sob o tema Heartcore que promete ser, segundo a sua apresentação, uma edição “voluntariosa, frontal, virtuosa. Capaz de mexer com os programas e os pragmatismos, de desafiar os tempos com um espírito de intervenção, criatividade e solidez”. Em tempos de crise que caracterizam os discursos gerais, o que é acessório elimina-se, o que é essencial permanece e enaltece-se sem nunca fazer parar o coração que nos mantém vivos.



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