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Modalisboa | Estoril Dia 4

Reportagem do quarto dia de Modalisboa Heartcore. Um final inspirador.

A última edição da Moda Lisboa acabou em beleza, com a conjunção de inspirações tão distintas quanto os seus criadores.

Katty Xiomara, um dos nomes mais aguardados, tanto pelo público como pela imprensa, abriu o desfile sob pauta barroca: a inspiração em carrosséis barrocos baseou uma colecção com tecidos fluídos apresentados em propostas românticas, assentes em vestidos curtos ou saias balão, girlys mas sensuais, entre contrastes de mesclados e cores fortes. Meninas de cabelo às tranças, mas que entre rendas e transparências deixaram uma apresentação coesa com o estilo irreverente da criadora.

Noutro espectro tocou Pedro Mourão. Passámos de meninas num romântico carrossel para uma colecção fortemente inspirada na equitação e motivos equestres. Uma colecção masculina onde o criador procurou a “reinterpretação do negro”, no cunho que imprimiu aos seus chevaliers com porte nobre e arrojado sob preto e vermelhos intensos. Chapéus, lãs, axadrezados… um charme destacado com a presença de Luís Pereira, chefe dos bastidores da Moda Lisboa. Também lá esteve o filho do Tony Carreira… mas bem, são outros 500, apesar do moço não se ter portado nada mal.

Seguidamente, Pedro Pedro desenvolveu uma colecção feminina ao estilo city-chic wear, sob o tema Out of Control. Este “descontrolo” fê-lo transportar para a passerelle excessos conseguidos nos looks glam e sexy, que se descolam do clássico através de padrões gráficos e linhas tubulares dos anos 70. Goste-se ou não, a presença de peles surge em muitas peças, sobretudo em casacos.

Nuno Gama lançou um desfile bastante teatralizado. Os seus Invictos foram lançados e representados em homenagem a Fernando Pessoa, sob a pauta da declamação de um dos seus poemas. “Os discípulos das sociedades de dinheiro, que vivem como se o amanhã não existisse”, foi o tema desenvolvido na colecção ‘Os invictos’. Looks elegantes e sofisticados, numa colecção falsamente despretenciosa, com referências militares combinadas com algum classissismo.

Filipe Faísca incendiou o público. Ao som de alguns acordes de piano inicia-se ‘Marble Effect’, uma colecção de efeitos visuais criados por sobreposições e assimetrias. A silhueta, ora fluída, ora estruturada, ora feminina, ora masculina, nunca deixou de estar elegantemente vestida nos crochets, malhas, padrões gráficos… e os fabulosos sapatos Louboutin, que tiraram o fôlego a muitas senhoras.

O encerramento ficou entregue à marca Custo Barcelona, pela primeira vez em solo nacional, o que é revelador da cada vez maior importância deste certame. O estilo étnico-psicadélico sugerido pela dupla de irmãos Custo e David Dalmau, preencheu-se de folk em tons de rosa, roxo, turquesas e verdes. Muitos detalhes artesanais, também recentemente mostrados na Semana de Moda de Nova Iorque.

Mais uma edição, de sucesso, com algumas inovações logísticas a gosto ou contra-gosto, mas que em nada superam o brilhantismo conseguido e demonstrado pelos criadores reunidos.

Venha mais.



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