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Modalisboa | Estoril Dia 2

Reportagem do segundo dia da Modalisboa Heartcore. Uma noite performativa.

Segundo dia de desfiles de mais um fim-de-semana de moda made in Portugal – desta feita, dois dos nomes mais aclamados da moda de autor do nosso país e dois designers “radicados” na Moda Lisboa.
A noite começou com a apresentação da colecção da croata Lidjia Kolovrat, “0 a 8”, uma instalação de objectos de uso comum. Acessórios habilidosos de formas geométricas que iam sendo apresentados ao mesmo tempo que o seu controlo de qualidade era feito em plena passerelle.

O sérvio Aleksandar Protic propôs formas futuristas em reinterpretações do clássico vestido preto num interessante trabalho de draping. Uma colecção com especial ênfase nos ombros volumosos. Os materiais variaram entre malhas fluídas de viscose e modal, peles, peles perfuradas, sedas e lãs, preto, cinza e falsos negros.

“Zona Centro” intitula a colecção apresentada por Dino Alves para o Inverno 10. Uma homenagem às mulheres domésticas da classe média-baixa e do campo da região centro de Portugal. Um organista de aldeia começou por animar a apresentação do conceito, ilustrado por donas de casa que acumulavam roupa de trazer por casa ou levar o lixo à rua – calças, batas, casacos de lã, xailes e chinelos com meias grossas. A proposta foi partir deste styling para criar algo novo e sofisticado.

O resultado são peças de um romantismo controlado. Layers que nos dão a sensação de serem várias peças sobrepostas, trabalhos de patchwork, tecidos estampados com desenhos de tricot, tecido de batas e peças XXL. De salientar os casacos tricotados de tiras de tecido – técnica tradicional da zona centro. Uma extensa paleta de cores que nos remete para um ambiente de campo. A colecção é menos arty do que o criador nos habituou a ver; de qualquer forma fica a questão: será um clássico desfile de passerelle a melhor forma de apresentar as suas colecções?

Para fechar a noite, Ana Salazar fez desfilar as suas manequins uma a uma, com direito a nome e nacionalidade. Ao som de passos iamos sabendo quem eram aquelas figuras imponentes, personagens austeras que pareciam secretárias de um exército. Uma colecção arquitectural em tons de preto, branco e cinzento, pontuados por azul e vermelho, que explora nos materiais o contraste entre o mate e o brilhante e entre os tecidos clássicos e os tecidos tecnológicos.

Com o tardar da hora, a sala dos desfiles foi-se enchendo de starlets com as respectivas crianças, amigos e curiosos e o habituais alunos de escolas de moda – para nos recordar que são os desfiles oficiais da moda portuguesa e não uma qualquer entrega de prémios sem fato de gala.



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