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Muse @ MEO Arena (02.05.2016)

Estádios de alma

Os Muse decidiram ser grandes, já há algum tempo, e é uma decisão que obviamente se respeita, tal como todas as outras. Até porque essa escolha não tem propriamente que lesar a qualidade e evolução sonora duma banda.

Porém, no caso dos Muse afectou. Começaram a tornar-se épicos, e até mais experimentais a certo ponto da carreira, mas depois fizeram uma inflexão não tão inspirada e tornaram-se algo insípidos.

Não estamos aqui para nos debruçarmos sobre o trajecto dos Muse, mas o concerto que ofereceram ontem na MEO Arena reflecte bastante bem a sua evolução.

O movimento dos decorativos drones, que não só deram nome ao mais recente álbum, mas também à própria tourneé,  deu o sinal para que o concerto arrancasse. A primeira de duas datas no pavilhão do Parque das Nações, estando esta esgotada há meses por 18 mil pessoas.

O início da performance é bastante poderoso, ecoando poderosos riffs que davam azo a uma atmosfera de rock de estádio, que é exactamente aquilo que os Muse almejam e conseguem concretizá-lo bastantes vezes.

À medida que as músicas vão desfilando gora-se um pouco a agressividade, com a injecção de maiores elementos electrónicos, que emprestam ferocidade aos temas,  juntamente com os referidos riffs.

Até que chegamos a «The Handler», tema pertencente a “Drones”, e que acaba por nem aquecer gregos, nem troianos. É aqui que nascem algumas dúvidas sobre a validade deste rumo que a banda tomou, embora, valha a verdade, tenha sido provavelmente o único tema falhado do alinhamento.

Ao longo do prolongamento do palco 360° que os britânicos trouxeram até Portugal projectam-se imagens de uma mão a controlar uma marioneta, e que pareceu a simbologia perfeita da relação entre as poderosas editoras e as bandas controladas por essas mãos interesseiras. Se é que nos fazemos entender.

«Supermassive Black Hole» e «Starlight» são singles na verdadeira acepção da palavra e trazem o gáudio de volta às bancadas e à plateia que em pé se espalha em redor do referido palco, cuja parte 360° roda constantemente, permitindo aos músicos encararem as diferentes secções do público.

Em seguida arranca a parte política do espectáculo, introduzida convenientemente através dum discurso de John F. Kennedy,  e quando Matt Bellamy se desloca até ao extremo do prolongamento do palco gritando They will not control us, we will be victorious, só faltam as bandeirinhas para sentirmos que estamos num autêntico comício.

Nesse mesmo balcão à ponta do palco vão sucedendo as presenças, ora vem Bellamy mostrar os seus dotes de guitarrista e até de pianista, ora Chris Wolstenholme passeia por ali o seu baixo, ou chega o mesmo Bellamy apenas de micro em punho, bastas vezes pedindo a ajuda do público para as vocalizações.

E é nesta parte do concerto, em que as letras são mais secas, menos bordadas, que começa a notar-se uma notória repetição da fórmula na feitura das músicas. Baixo e bateria a criar um ritmo potente, por entre o qual a voz vai crescendo, para chegar ao refrão e eclodir uma melodia orelhuda apoiada em acordes e dedilhados de guitarra arrojados.

O encore constou de três temas grandiosos, ainda que diferentes entre si: desde a euforia contida de «Take a Bow» à  explosão de confetti e fitas em «Mercy», passando pela cavalgada heróica dos «Knights of Cydonia». E é esta última que nos parece ser a maior canção deste trio britânico, uma autêntica rapsódia, criativa, inesperada, com imensos ingredientes apelativos.

A ideia que fica é que os Muse já descobriram a poção mágica para ser banda de estádio, agora falta conseguir poli-la aqui e ali, para arrebatar mais e melhor. O público gritou e saltou frequentemente, vibrou de veias salientes, e quando assim é o saldo é sempre positivo.

Alinhamento

Psycho

Reapers

Plug In Baby

Dead Inside

The 2nd Law: Isolated System

The Handler

Supermassive Black Hole

Starlight

Apocalypse Please

Madness

Map of the Problematique

Hysteria

Time Is Running Out

Uprising

The Globalist

Drones

(encore)

Take a Bow

Mercy

Knights of Cydonia



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