Nach

Entrevista a um dos nomes do mais recente hip-hop espanhol.

Sem entrar em delongas, fica o meu agradecimento à minha “cara-metade” por ter feito as perguntas ao artista, numa mistura entre português, inglês e espanhol. Obrigado Sara Cabaço!

RDB: Quem é Nach e como se define?

Nach: Nach é alguém que já há muitos anos se dedica à música Hip-Hop, a escrever as suas letras, a escrever aquilo que sente, e que graças a este movimento aprendeu a manifestar-se e a expressar-se.

RDB: O álbum “Ars Magna” é a continuação de “Poesia Difusa”, quais são as grandes diferenças entre estes dois álbuns?

Nach: “Ars Magna” foi um disco com mais tempo para ser criado, com mais tempo em estúdio para ser trabalhado e feito com mais experiência e isso nota-se no resultado final. “Poesia Difusa” é também um conceito à parte que quis criar, mais tranquilo, mais “feito com gente”, para conseguir algo que eu queria fazer naquele momento, tem um contexto mais poético, mais tranquilo e isso foi algo que gostei que fosse feito assim.

Quanto a “Ars Magna”, é natural que tenha histórias contadas de uma outra maneira e que muita gente que gostou de “Poesia Difusa” não goste tanto deste, ou vice-versa. Não é culpa minha, ambos foram influenciados pela forma como me sentia em cada momento.

RDB: E “Miradas”, é um álbum conceptual, o que pretendes atingir com ele?

Nach: Bem, “Miradas” é um álbum em que quis encontrar uma maneira de falar sobre a vida de alguma gente, que muitas vezes não tem oportunidade de falar ou de se expressar. Por exemplo: um emigrante, uma prostituta, um presidiário, um taxista, são pessoas que tinham outra vida anterior e que estão ou estiveram em algum momento de suas vidas sem carinho e eu fiquei inspirado para escrever, isto foi o conceito. A vida continua muito séria e não foi nada fácil, porque contar as histórias assim também nos comove um pouco e para mim terá sido complicado criá-las, porque era meter-me num universo distinto do que eu estava habituado.

RDB: Fala-nos um pouco do tema que escolheste para o videoclip «Una vida por delante»

Nach: Era uma canção que eu gostava muito e que é dedicada especialmente ao meu sobrinho. É um tema que quis que fosse instrutivo assim como o videoclip. Vai contar com a presença da minha família, dos meus sobrinhos, todos os meus amigos. Pareceu-me um tema bonito, um tema que estava muito bem para videoclip.

RDB: E como olhas para a sociedade espanhola?

Nach:
Está crescendo muito, pouco a pouco, passo a passo, e isso é importante. Por exemplo na música, tem existido um boom, como uma explosão, mas explodem e desaparecem, é muito efémero. Mas no hip-hop sempre temos uma base e é daí que cresce. Passo a passo vai crescendo. Em Espanha está a ser assim, pouco a pouco, vamos revolucionando, melhorando, fazendo melhores concertos com mais gente, melhorando os discos, a vida económica e isso é importante porque não nos estamos a deixar ficar estancados, trabalhamos para o Hip-Hop.

RDB: E as ruas, pessoas…

Nach: Bem, em Espanha surgem os mesmos problemas que em qualquer outro país. Desde pequeno, sempre assisti a uma classe social média que pouco a pouco está a deixar de existir, pelo menos no Sul de Espanha. Isso acontece noutros países também, em que existe a classe alta e uma classe baixa, o “meio-termo” está a desaparecer. É uma sociedade que tem problemas para resolver, culturalmente tem de crescer mais, está atrás de outros países, tem que saber abrir a mente a novas coisas. Tivemos uma ditadura que durou muitos anos e só com 30 anos de liberdade é mais difícil que as coisas corram aqui como correm na Inglaterra, Suécia ou Noruega.

RDB: Qual a importância do hip-hop na tua vida?

Nach: É algo que encontrei na minha vida e que me tem ajudado a encontrar a mim mesmo. Foi algo que me ajudou a confiar na minha personalidade. Tem-me ajudado a unir a muita gente que pensa, vive e sente o mesmo que eu. Essa união permitiu que nos organizássemos e criássemos maneiras de lutar e viver com a sociedade. Para mim funcionou como “ar fresco”, porque a vida em sociedade fazia-me sentir bastante oprimido.

RDB: Conheces nomes do hip-hop Português?

Nach:
Sim conheço. Gente como o Bomberjack, mc’s como Valete, produtores como Sam the Kid, que me parecem belíssimos. Conheço também Sir Scratch, Mind da Gap, sei que existem muitíssimos grupos, pouco a pouco vou conhecendo mais.

RDB: Qual a tua opinião sobre eles?

Nach: Muito boa, parece-me brutal a qualidade das letras e da música. Por vezes têm um flow muito rápido mas quando escuto parece-me muito bem, com muita energia e boa letra. Se formos a comparar o território português com o espanhol, apesar de Portugal ser muito mais pequeno tem muito melhores mc’s do que Espanha.

RDB: E sem ser hip-hop, ouves mais algum tipo de música portuguesa?

Nach: Os fados. Não conheço muito mais, há uma cantora portuguesa que se chama Dulce Pontes que tem uma voz incrível, mas não conheço muito mais que os fados.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This