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Nitin Sawhney

Dia 24 de Fevereiro no Coliseu dos Recreios.

É verdade que, nos tempos que correm, há cada vez mais bandas e cada vez são mais os artistas que vão saturando o mercado da música com as mesmas fórmulas e mentalidades. Nós próprios sentimos isso por vezes. A quantidade arrebatadora de coisas que não têm qualquer significado para nós e saem todos os dias para as lojas, vai-nos deixando, a pouco e pouco, incrédulos e desligados desse mercado.

Porém, existe sempre o outro lado. A oferta em demasia apurou os nossos filtros, toda essa limitação e desconfiança que sentimos com grande parte do que ouvimos na rádio ou vemos na TV, faz com que mais facilmente consigamos separar o trigo do joio e distinguir aquilo que é realmente brilhante e revigorante.

É o que acontece com Nitin Sawhney. Aqui temos um homem trabalhador que, apesar do talento inerente, não se deixou embalar pelo conforto do reconhecimento ou pelos vícios da indústria. Nitin é claramente uma mais-valia para o mundo das artes em geral e o seu mais recente trabalho é prova disso mesmo.

“London Undersound” é o nome do último álbum. Neste disco, estão mais uma vez presentes as várias influências de Nitin, temos aquele som meio trip-hop meio electro característico, mas também aquele cheirinho de jazz, flamengo ou drum’n’bass a que ele tanto nos habituou. O disco que conta com participações de nomes como Ojos de Brujo ou Paul McCartney, reflecte os acontecimentos de 7 de Julho de 2005, aquando das explosões no metro de Londres e o consequente estado de medo que ficou no ar, que culminou com a morte de Jean Charles de Menezes (um brasileiro que foi morto por um polícia no metro de Londres após ter sido erradamente identificado como um dos terroristas). Nitin, que estava no metro seguinte para a estação onde o brasileiro foi baleado, conta à sua maneira como viveu os acontecimentos naquela altura. Ele, que também já foi vitima da discriminação de não ser branco.

Hoje em dia Nitin tem o seu lugar consolidado como um dos mais importantes artistas ingleses. Particularmente conhecido pela sua música, o versátil londrino sente-se tão bem em palco, como atrás de uma mesa de mistura ou a escrever uma banda sonora. Mas nem tudo foi um mar de rosas. Nitin, quando andava no secundário, foi vítima de racismo e ao longo da sua juventude teve muitas dificuldades em integrar-se devido à cor da sua pele. No entanto, a sua ambição levou a melhor. Nitin deu os primeiros passos no mundo da música quando estava na universidade de Liverpool ao ir para a estrada com a banda de um amigo, os James Taylor Quartet. O britânico, que até essa altura só tinha de músico a formação em piano e guitarra que teve em miúdo, obtinha agora a confiança para formar a sua própria banda, The Jazztones.

Depois de abandonar a faculdade e instalar-se em Londres, ainda fez um programa de rádio para a BBC, que abriu as portas para outra vertente muito importante da sua carreira, a de dj. No entanto, foi só com “Spirit Dance”, o seu primeiro álbum a solo, que tudo realmente começou. O disco, que data de 1994, passou algo despercebido, mas desde logo deixava patente uma sonoridade diferente àquela que os conterrâneos Massive Attack ou Portishead nos apresentavam. Daí até ao seu álbum mais conhecido, “Beyond Skin” de 1999, foi um pequeno passo. Nitin conta ao todo com 8 álbuns. Pelo meio ficam inúmeras participações em bandas sonoras e um amplo currículo como produtor e DJ.

Dia 24 deste mês, o conceituado MC Natty vai estar entre nós para mais um espectáculo no Coliseu dos Recreios. Seja para dançar um bocadinho ou para reflectir um pouco, a Rua de Baixo sugere-vos a assistir um concerto que não vos deixará indiferente.



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