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Norah Jones | “Little Broken Hearts”

O exorcizar de antigos fantasmas

Dez anos se passaram desde que “Come Away With Me” surgiu nas rádios. A voz feminina que lhe dá corpo, a grandiosa Norah Jones, surpreendeu-nos com a sua simplicidade num álbum que conquistou sete Grammys e com uma sonoridade jazzística e cheia de frescura. Dois anos mais tarde, “Feels Like Home” nasce sob influência country e arrecada mais três Grammys. “Not Too Late” chegou na altura certa, e em 2009 seduz-nos com “The Fall”.

“Little Broken Hearts” distingue-se por não ser apenas mais um disco. É um trabalho que se desmarca pela reinvenção da cantora e também por poder marcar uma posição – o exorcizar de antigos fantasmas de um relacionamento que está mais que fracassado.

Em «Good Morning», a sua voz em falsete e com acordes simples de guitarra, transmitem logo o sentimento de “murro do peito”. Se um bom dia deveria ser algo alegre e dinâmico, é totalmente o inverso o que ouvimos. «Say Goodbye» já aparenta ser uma despedida de livre vontade. Embora na primeira música Norah cante «I’m folding my hand» e na segunda «I don’t need you anyway», só mostra que, apesar de ser um disco onde a tristeza está visível, não deixa de mostrar que a mesma é superada e que o tempo se encarrega de nos mostrar isso mesmo.

«Little Broken Hearts» apenas transmite a força que cada um deve ter em diversas ocasiões / situações da sua vida. Cada um deve ser um guerreiro e ultrapassar todos os estados de taciturnidade.

Não sabemos se Norah Jones terá sofrido na pele a história que canta / nos conta em «She’s 22», mas ouvir a sua voz neste tema causa certos arrepios. A letra fala-nos de uma terceira pessoa na relação e a cantora questiona se ele será feliz e se a outra o fará feliz. São essas questões que acabam por enriquecer o tema, deixando o ouvinte com aquelas palavras a vaguear na mente durante alguns segundos.

Mas eis que chega «Take Me Away», uma das músicas mais bonitas e perfeitas do álbum. “Won’t you take me away from here, So I’ll never find my way home”. Pois é, ele não irá regressar e tudo acabou. A sinceridade e as pistas dadas por Norah fazem-nos ver que o caso não tem solução. Aposto que o leitor agora questiona-se: mas irei eu comprar um disco tão depressivo? Claro que sim. Quem é que nunca se sentiu assim? A melancolia faz parte do ser humano e ajuda-nos a ultrapassar todas as más experiências. Acabam por nos dar mais força. Contudo, mesmo depois de tudo o que aconteceu, Norah diz em «After The Fall» que tudo muda e que estaria disposta a recebê-lo de volta. Devemos nós perdoar?

«Travelin’ On» acaba por ser outra canção quase perfeita. Uma melodia soberba e uma metáfora de um vai e não volta, mas cujo problema está em frente dos seus olhos. Tudo isto resulta novamente em mais corações magoados com «4 broken hearts», mas tudo muda com «Happy Pills» onde todo o engano e traição se transformam em vingança. A sua voz acaba por arrefecer quando «Miriam» surge em cena. Tudo isto parece bastante cinematográfico e que só acontece na ficção, mas quem nunca teve o coração despedaçado que atire a primeira pedra.

«On The Road» é daquelas músicas que sabe bem ouvir no carro quando o modo de destino é mesmo “On my way to paradise a little voice says: “Don’t think twice and don’t look back if you want things to change”. Para finalizar, e não assustar mais o leitor, «All A Dream» é isso tudo o que o título nos indica. Tudo não passou de um sonho (ou neste caso de um pesadelo, pois a protagonista ultrapassou tudo e encontra-se noutro caminho totalmente diferente, à partida).

Como referido, este é um disco carregado de melancolia e nostalgia que pode transformar algo negativo em algo surpreendentemente positivo. A sua voz continua a transmitir sensualidade, mesmo que o assunto seja forte e sério. Todos nós podemos ser personagens principais nesta história e podemos participar nela como um todo ou apenas isoladamente. Cada canção tem resposta para tudo.



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