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NOS Alive! 2018 | Dia 2 (13.07.2018)

No segundo dia os principais destaques vão para os The National e para os Queens of the Stone Age, com os segundos a vencerem pelo voto popular.

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Os Japandroids arrancam às 17h50, naquela hora que ninguém desconfia e continua a ser incrível constatar que todo aquele som é produzido apenas pela guitarra de Brian King e pela bateria de David Prowse. O que se segue não tem que enganar: cerca de 45 minutos de adrenalina aplicados directamente na veia, que arrancam ao som de «Near to the Wild Heart of Life», canção homónima do último álbum do duo canadiano. A jura de amor ao nosso País repete-se, tal como tinha acontecido na edição de 2017 do NOS Primavera Sound e onde aproveitaram inclusivamente para captar imagens que vieram a integrar o vídeo para «North East South West». WYSIWYG. Com estes não há que enganar.

Enquanto se aguarda pelos Eels de Mark E. Everett, faz-se uma rápida visita ao Coreto para sermos surpreendidos pela presença de Mallu Magalhães, num registo surpresa e apenas acompanhada pela guitarra. Mas rapidamente regressamos ao Palco Sagres porque os Eels exigem (e merecem!) a nossa mais completa atenção. O registo não engana. Passeia sempre entre o rock e os blues. É bom ver que Mr. E se encontra num bom momento. Está feliz e a escuridão apenas se deixa ver nas letras das canções, verdadeiras janelas para a sua vida. O alinhamento visito o passado e o presente dos Eels e teve até espaço para «Raspberry Beret», do Prince. Já «Novocaine for the Soul» evocou memórias de uma adolescência nos 90 onde um álbum era esmifrada até à exaustão e os booklets eram uma peça de vital importância e «Flyswatter» trouxe um sorriso a muitos ali presentes. A apresentação da banda que o acompanha foi também um dos momentos mais deliciosos do concerto; com histórias que foram desde a perda da virgindade a um missionário mormon no Japão que no espaço de dois anos conseguiu converter duas pessoas.

A entrada dos The National ocorre sempre ao som de outro. Já é uma tradição. Desta vez a escolha recaiu em «Most of the Time» do Bob Dylan. A isso seguiu-se aquele que terá sido, por ventura, o melhor concerto que a banda norte-americana deu por cá em festivais, num alinhamento que se focou mais nos álbuns a partir de “Terrible Love” em diante, e com um destaque natural para o mais recente e belíssimo, “Sleep Well Beast”. Berninger é daqueles vocalista que e um prazer ver em palco. Inteligente e com um sentido de humor refinado, senhor de uma voz e de um carisma únicos que ficaram bem patentes ao longo de toda a actuação e que teve um dos pontos altos na performance que teve lugar em «Graceless», com caretas e poses quase provocantes sobre as colunas. As visitas ao passado mais longínquo, mas sempre indispensável e indissociável, foram feitas com «Fake Empire» que continuará hoje e sempre a colocar qualquer um em sentido e «Mr. November» que nos tempos sombrios para os quais parecemos caminhar, ganha novamente uma actualidade ímpar. «Guilty Party», ainda a meio da actuação espetou a faca no coração. Ficou a sangrar. No fim, mesmo a fechar, «About Today» assegurou a torção final. “Are you awake? / Yeah, I’m right here /  Well, can I ask you / About today?”. O concerto termina e sentimo-nos felizes mas tristes. Contentes mas angustiados. Com esperança mas de pés e mãos atados. Sentimo-nos cheios e vivos.

Os Queens of the Stone Age não têm de provar absolutamente nada, rigorosamente nada. A ninguém. Ponto. No entanto isto não quer dizer que não possam dar um tremendo concerto em que o rock’n’roll é tudo e as guitarras são rainhas excepto no momento que antecede a entrada da banda no Palco NOS e se escuta «Singin’ in the Rain». E porque não? É que logo depois Josh Homme lança-se a «Feet Don’t Fail Me» mas a loucura instala-se em definitivo quando os primeiros acordes de «Songs for the Deaf» se fazem ouvir. Já «No One Knows» terá tido, por ventura, o maior coro da noite mas isso também não é propriamente de espantar. Tempos mortos para respirar são raros. É desperdício. Nada mais. Contínua-se de prego a fundo com «Burn the Witch» e «My God is the Sun», num pulsar sempre frenético. Para encerrar há «Go With Flow» e de imediato vem à memória o provocante vídeo que acompanhou a canção, quando foi lançada em 2002. Mesmo a fechar temos «A Song for the Dead» que para ser mais perfeita teria de ter tido o Grohl na bateria e o Lanegan a acompanhar na voz, tal como acontece no álbum mas contentámo-nos com a cavalgada das guitarras.

Estamos cansados mas o que se segue é exigente. Sam T. Herring, alma dos Future Islands, prepara-se para dançar e gingar como se não houvesse amanhã. A entrega continua a impressionar, mesmo que esta já não seja nem a primeira, nem a segunda vez que os vemos ao vivo. Aquele agachamento intercalado com a ginga da cintura contínua incrível. E a voz? O que dizer. Possante e incisiva, por vezes assustadora e complementada por batidas tão fortes com a própria mão no peito que chegam a ser amplificadas pelo microfone. Com um alinhamento bem repartido entre “In Evening Air”, o mais recente “The Far Field” e o imaculado “Singles”, continuam a ser as canções deste as que despoletam uma reacção mais intensa e emocional. A pureza de «A Dream of You and Me», a ode à família que é «A Song for Our Grandfathers» ou a épica celebração em que se torna «Seasons (Waiting On You)». Mas não é menos verdade que pelo meio dançamos tudo o resto. É que caso contrário ficaríamos em dívida para com o Sam.

Fotografia por José Eduardo Real.



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