O Caminho entre o Bem e o Mal

“O Caminho entre o Bem e o Mal”

A água é negra no fundo do poço

Matt Scudder (Liam Neeson)  é um ex-polícia e um alcoólico em recuperação, que ganha a vida a investigar casos para algumas pessoas que não confiam necessariamente na polícia para os resolver.

Numa das noites em que vem de uma reunião dos Alcoólicos Anónimos, é contactado por Peter Kristo (Robert Boyd Holbrook), um outro toxicodependente em recuperação, que o convence a ir visitar o seu irmão que precisa urgentemente da sua ajuda.

Ao chegar à casa de Kenny Kristo (Dan Stevens), Matt percebe que tanto Kenny como o caso estão muito longe de serem convencionais.

Kenny é um narcotraficante a quem a mulher foi raptada e assassinada , apesar de ter cumprido as exigências dos raptores, não ter chamado a polícia e ter pago o resgate….

Agora, pretende que Matt o ajude a encontrar os homens que raptaram, torturaram e mataram, a sua mulher.

A principio Matt não aceita o caso, mas existem fantasmas muito negros no seu passado que precisam ser apaziguados e este pode ser um caminho para a redenção.

Uma redenção que passa também pelo seu interesse num jovem sem-abrigo que o passa a ajudar nas suas investigações e com quem estabelece uma interessante parceria.

O Caminho entre o Bem e o Mal (A Walk among the Tombstones, no original) é um filme sombrio…muito sombrio.  Daqueles thrillers em que se sente a densidade como se estivéssemos sob a pressão do oceano, mas onde o que mais impressiona é a naturalidade do mal, a forma niilista com que ele é representado.

Existem alguns outros thrillers assim, onde o mal não precisa de razão ou necessidade, apenas existe, e o facto de o não conseguirmos explicar ou compreender realmente, é particularmente perturbador. E isso mexe com o espectador .

Em  filmes  tão distintos como: Psycho, Se7en ou Silêncio dos Inocentes, o comportamento dos psicopatas de serviço é apresentado como uma falta de empatia que resulta numa preponderância do mal sobre o bem. Ou no caso de Se7en o delírio religioso/salvacionista ajuda a compreender a crueldade desmesurada da personagem “John Doe”.

Mas em muitos aspectos, este ” Caminho entre o Bem e o Mal” vai ao encontro de obras ainda mais desesperadoras, como “8 mm”(também do autor de Seven, Andrew Kevin Walker),  ou o futurista “Event Horizon”, onde a ausência do bem é ainda maior, tornando o mal omnipresente.

A realização de Scott Frank é francamente boa , sustentada por um guião consistente (Scott Frank faz uma boa adaptação cinematográfica do best-seller do mesmo nome, de Lawrence Block) e uma fotografia soberba.

A banda sonora é ao mesmo tempo envolvente e enigmática, onde não falta uma grande versão de “Black Hole Sun” de Nouela

As interpretações são competentes no geral ( destaque para Robert Boyd Holbrook, Dan Stevens e principalmente Brian “Astro” Bradley no papel de TJ), mas como é óbvio o destaque maior vai para Liam Neeson, que tem aqui um papel ao nível da sua qualidade interpretativa, coisa que nos últimos tempos, tem rareado.

Dá vontade de dizer : Bem vindo de volta Sr. Neeson!

Numa avaliação temos então, um competente thriller, com todos os ingredientes usuais do género. Suspense a rodos, diálogos tensos, personagens com motivações nem sempre confessáveis, boas interpretações e uma realização que privilegia planos longos e um ritmo lento e cadenciado.

Como gosto deste tipo de filmes e apesar de não ser uma obra-prima, é um filme bastante bem feito, sai com um :

Satisfaz Bem!



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