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O Colectivo 84 é trash

Projecto conduzido por John Romão e Mickael de Oliveira. Uma nova forma de fazer teatro.

Fundado em 2004, o Colectivo 84 é uma estrutura que propõe criar e produzir novos espectáculos no âmbito da arte da performance. À sua frente estão os jovens John Romão e Mickael de Oliveira, o primeiro actor e encenador, o segundo dramaturgo e investigador em Estudos Teatrais. Trabalham sobre o teatro contemporâneo criado nos últimos anos em Portugal e na Europa, dando-o a conhecer através de uma estrutura bipartida entre criação e encenação.

O seu teatro funciona como espelho onde nos vemos reflectidos, não como indivíduos singulares, mas como uma massa conjunta denominada sociedade. Na peça “Só os idiotas querem ser radicais”, (escrita por Mickael, dirigida por Romão, e protagonizada por este último e Ângelo Rodrigues, apresentada no Festival Materiais Diversos, em 2009) houve quem chorasse e quem deixasse a sala a meio, quando os actores dançam com coelhos seguros pelo cachaço. Em “Agamémnon – vim do supermercado e dei porrada ao meu filho”, (texto de Rodrigo García, encenação de Romão e interpretação de Gonçalo Waddington, apresentada este ano no São Luiz) houve quem se sentisse nauseado e pouco confortável, quando Gonçalo nos grita pequenos acontecimentos rotineiros que podem desgraçar um dia. Certo é que ninguém fica indiferente e todos avançam no campo que é o grande objectivo deste teatro – despertar o espírito crítico. Personagens que podem ser animais e ferozes, como poéticos e sofredores, dotados de uma qualquer consciência afundada que parece vir de outrem. Estamos na presença de anti-heróis, sem nome, perdidos, agressivos, que lutam contra a grande máquina que gira em seu torno. Não se riem nem choram, lançam-nos as suas insatisfações, os seus medos e sonhos, através de uma representação crua e fria que se distancia claramente do método clássico.

Os temas abordados passam pela informação, política e nação, pela tragédia e pela esperança, e discutem-se num estado de caos, mas ao mesmo tempo de plena consciência. Porque encontrar a esperança é um processo difícil, que exige luta e sofrimento. Somos espicaçados pela palavra, pela ferocidade da géstica e pelo barulho ensurdecedor de uma bateria ou de uma música que toca num palco transformado em rave. As luzes criam desconforto, ferem-nos os olhos, põem-nos o coração aos pulos, no meio de um cenário frio e minimalista.

Histórias de agora, reais, cruéis e encantadoras. Personagens brutais com que nos identificamos. Uma nova forma de fazer teatro, de encenar e de dizer a palavra, perfeitamente enquadrada no mundo contemporâneo. Que mais projectos destes surjam e que o teatro se renove, inove, arrisque, experimente, e que vá mais longe, para mais depressa chegar até nós.

Quem estiver por Coimbra no próximo dia 24 de Novembro, pode (com)provar tudo isto indo ao TAGV assistir a “HORROR ou breve estudo sobre a paralisia”, já apresentado no passado mês de Junho, no Teatro Nacional D. Maria II.

Fotografias de Susana Paiva



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