“O Diário de Helga” | Helga Weiss

“O Diário de Helga” | Helga Weiss

A sobrevivência através da palavra desenhada

Durante o Holocausto, muitas das crianças e jovens mantiveram diários, que serviam de confidentes de infortúnio. “O Diário de Anne Frank” é o exemplo maior desta sobrevivência pela palavra desenhada, escrito por uma rapariga de treze anos que, escondida com a sua família e outros judeus em Amesterdão, conta a vida do grupo durante a ocupação nazi dos Países Baixos. Agora, com a edição de “O Diário de Helga” (Bertrand Editora, 2013), surge a oportunidade de lermos um outro testemunho sobre uma realidade que foi comum a ambas.

Helga Weiss nasceu em Praga em 1929. Foi uma das 15000 crianças levadas para Terezín e, mais tarde, deportadas para Auschwitz, sendo uma das únicas 100 que sobreviveram ao Holocausto. Ao regressar a Praga estudou arte e tornou-se famosa pelos seus quadros. Os desenhos e pinturas que fez durante o tempo passado em Terezín foram publicados em 1998 no livro “Desenha o que vês”, e integram agora “O Diário de Helga”, livro reconstruído a partir dos cadernos originais – escritos quando Helga entre os 14 e 15 anos -, recuperados em Terezín, e das páginas soltas que Helga escreveu depois da guerra.

“O Diário de Helga” | Helga Weiss

Como se lê na nota inicial do tradutor da edição inglesa, «embora apresente os diários de Helga sob a forma de um diário quotidiano, de acordo com os seus desejos, a sua composição original é mais variada – inclui também uma entrevista a Helga feita por Neil Bermel e fotos que reconstituem o percurso temporal de Helga. O que os leitores têm agora é uma versão do pós-guerra e não o texto original dos cadernos. Cerca de um quarto dos escritos dos cadernos de notas foi removido e outro quarto sofreu edições estilísticas. Em certos pontos, Helga acrescentou, depois da guerra, alguns comentários, estando estes assinalados nas notas finais.

No prefácio, Helga Weiss confessa que, ao reler o seu diário passados tantos anos, se emocionou e descobriu que, no fundo, nunca conseguiu deixar o seu passado. Organizou os seus «bens», reviu todos os seus papéis e aprendeu mesmo a usar um computador, batendo página a página os seus textos. O resultado é um olhar adolescente e marcante sobre os dias do Holocausto, esse acontecimento que, de tão implacável, tem de ser a tempos relembrado para nunca cair no esquecimento.

“O Diário de Helga” | Helga Weiss



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