Ölga

Depois do excelente EP de estreia, a banda lisboeta acaba de editar o seu primeiro álbum de originais «What Is», com o selo de qualidade da Bor Land.

Experimentalismo, improvisação, repetição e psicadelismo. Estas são as palavras escolhidas pelos próprios elementos da banda para definirem a sua sonoridade. Depois de uma atenta audição de «What Is», o álbum de estreia dos Ölga, podemos acrescentar mais alguns atributos à descrição acima referida: qualidade, coragem e dinamismo.

Depois de terem editado em 2004 o homónimo EP de estreia, os Ölga estão de regresso às edições, desta vez arriscando mais um pouco com a apresentação do 1º longa-duração do agrupamento. Formados em 2001, este trio lisboeta (Diogo Luiz, João Hipólito e João Teotónio) explora uma sonoridade instrumental, aliando ambientes intimistas a momentos de densa intensidade, bem representados neste novo trabalho.

Quando se pensa num álbum instrumental, seja ele de que estilo for, existe sempre uma principal pergunta que precisa de ser respondida: “Como tornar um conjunto de faixas instrumentais interessantes e não cair na monotonia com o decorrer do tempo?”. A resposta é simples: Fazer como os Ölga.

«What Is» começa com uma pequena faixa introdutória, “Intro”, para de seguida mergulhar de cabeça numa das faixas mais interessantes do disco, “Money”, que podia servir de banda sonora para um qualquer discurso político, num país aleatório. Os instrumentos do trio são acompanhados com um sample vocal, numa viagem de altos e baixos e com momentos que podiam ser incluídos na banda sonora de um filme de James Bond.

”The Hunt” marca o início da fase mais “tribal” e densa do disco, onde a percussão serve de base para alguns momentos apoteóticos. Depois de um regresso à samplagem vocal em “Cube”, a banda mostra como tornar um álbum instrumental num dos mais interessantes registos do ano.

Primeiro, em “Maria (blue dawn)”, a banda mostra o seu lado mais minimal e experimental, numa faixa muito sombria, onde parece que somos transportados para uma masmorra, em que os gritos e ecos se misturam com os instrumentos. Para finalizar, a oitava faixa, que surge sem título, surge como um resumo da matéria dada nos sete temas anteriores. São 10 minutos intensos com o recurso aos “picos” de percussão e guitarra que caracterizam grande parte deste registo e a música dos Ölga.

Em suma, «What Is» é um óptimo disco de estreia deste trio e mais uma excelente edição da Bor Land, que tem tido um primeiro semestre de 2005 bastante positivo.



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