Optimus Alive! 2013 | Dia #2 (13.07.2013)

Optimus Alive! 2013 | Dia #2 (13.07.2013)

Vamos falar sem rodeios. O segundo dia do festival era o menos apelativo dos três e nem o nome sonante dos Depeche Mode era, por si só, suficiente para o disfarçar

Os Diiv subiram ao palco pontualmente, às 17h45, e momentos antes houve tempo para cantar os parabéns ao baixista Devin Ruben Perez. Na base da actuação esteve o único álbum da banda, “Oshin”. No alinhamento, canções como «Human», «Air Conditioning» (apresentada como uma canção “to swing back and forth”) e «How Long Have You Known?»são objectos estranhos que, tanto cativam, como têm a capacidade de gerar alguma indiferença entre quem por ali está. Infelizmente não foi possível acabar de ver o concerto porque tínhamos conversa marcada com os Capitão Fausto, que poderão ler por aqui brevemente.

Dos Wild Belle não há muito para contar. Roupagens pop, com um travo reggae pelo meio, não só no som mas também nas vocalizações. Uma mistura estranha. Mas a agenda definida ditava que os Jurassic 5 estavam a começar a actuação do palco Optimus, por isso foi para aí que se seguiu. O que aí se presenciou foi pura e simplesmente memorável. Um bocado de história (há que colocar as coisas no contexto adequado). Quatro MC’s (Charlie 2na, Akil, Zaakir e Mark 7even) e dois DJ’s (Nu-Mark e Cut Chemist) que dispensam apresentações e não deixaram os seus créditos em mãos alheias ao mostrarem como tornar uma mesa de misturas num instrumento 100% portátil e manejável como é uma guitarra. Já Charlie 2na, Akil, Zaakir e Mark 7even mostraram como se controla uma multidão. Uma prova cabal do poder que as palavras podem encerrar em si. Momento enorme deste segundo dia de Optimus Alive!.

No palco Heineken, os Rhye foram os senhores que se seguiram e, se não deixa de ser verdade que conseguiram prender muito público, também não deixa de ser verdade que as suas canções não parecem ter sido feitas para um ambiente festivaleiro como o que se vive naquele palco. As canções dos Rhye são melancólicas, repletas de arranjos e pequenas subtilezas, e respirariam muito melhor noutro local e contexto.

Os Editors tiveram dois belos álbuns no início da sua carreira, “The Back Room” e “An End Has a Start”. Depois disso parece que mergulharam numa crise de identidade que infelizmente nem quando as canções mais antigas surgem – «Munich» ou «Smokers Outside the Hospital Doors», por exemplo – conseguem disfarçar. É por isso um concerto em que sentimentos contraditórios imperam. No final não se consegue sacudir uma sensação de desilusão.

Entretanto os Capitão Fausto sobem ao palco Heineken e não se coíbem de presentear quem por ali decidiu ficar com um belo concerto. Desde o lançamento de “Gazela” até ao concerto no palco Heineken houve tempo para crescer e aprender, como os próprios nos confidenciaram em conversa, umas horas antes. Em palco puseram a carne toda no assador e o resultado foi um belo concerto de rock, com direito a algum experimentalismo pelo meio. Sem dúvida que estão no bom caminho.

Os Depeche Mode, eram sem sobra de dúvida, a banda mais esperada do dia. A média de idades do recinto subiu consideravelmente, em comparação com o dia anterior, e os Depeche Mode eram os principais responsáveis por isso mesmo. Quando a banda subiu ao palco, cedo se compreendeu que se ia assistir a mais uma sessão de devoção por parte do público. O concerto teve duas facetas bem distintas. As passagens pelo mais recente álbum, “Delta Machine”, e depois os temas clássicos e motivo pelo qual todos se haviam deslocado ali. Se é uma verdade inquestionável que o espectáculo dos Depeche Mode está impecavelmente montado a todos os níveis (alinhamento, luz, som) e que a voz de David Gahan continua igual e em óptima forma, não é menos verdade que não conseguimos deixar de sentir que existe uma barreira invisível entre a banda e o público que a banda não faz de todo questão de ultrapassar. Se para uns isto não é o mais importante, para outros, como foi o meu caso, gera um sentimento de indiferença que nem ao escutar canções como «Walking in My Shoes», «Barrel of a Gun», «Enjoy the Silence» ou «Personal Jesus» desaparece – é apenas ligeiramente atenuado (algo que já tinha sentido quando passaram por Portugal pela última vez, no Pavilhão Atlântico).

Paulo Furtado dispensa apresentações na pele de The Legendary Tigerman. Foi com o último “Femina” em pano de fundo – algumas das curtas passaram inclusivamente numa tela – que o concerto teve início. Houve tempo para escutar uma canção nova, com Furtado de pé de guitarra em punho a destilar uns acordes que soaram bastante bem e por dois momentos o conceito de “one man band” caiu (ou foi posto de parte). Primeiro para dar espaço a uma bateria e, uns minutos mais tarde, a uns teclados. Em ambos os casos as composições de Furtado ganharam outro músculo e outra personalidade. Foi bom de ver e escutar.

Pena não ter sentido os arrepios bons que senti no dia anterior.

Fotografia por José Eduardo Real. Dia #1; Dia #2; Dia #3

Leiam aqui a reportagem do terceiro dia



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