“Os meus sentimentos”

“Os meus sentimentos”

Até ao próximo sábado, 6 de Abril, Mónica Calle e Dulce Maria Cardoso apresentam os seus sentimentos na Culturgest

Mónica Calle, sozinha em palco com o texto quase integral de “Os Meus Sentimentos”, o segundo romance da autora de “O Retorno”, Dulce Maria Cardoso. “Encontrei este texto, que acho que foi escrito para mim” afirma a actriz, “aquele livro é avassalador e transversal em todos os aspectos da vida.”

O romance “Os Meus Sentimentos” (2005) conta a viagem de Violeta, flor cheia de espinhos, mulher desesperada que morre num acidente de automóvel e que, nesse instante em que a quase vida é quase morte, passa em revista um caminho de horrores e de sonhos frustrados. Uma obra completa transposta para o palco num trabalho conjunto entre Mónica Calle e a escritora, Dulce Maria Cardoso. O resultado é um espectáculo que desafia o tempo e é uma experiência limite – tem a duração de cinco horas, talvez mais.

Tudo começou com “O Retorno”, a primeira obra da escritora. “Fui convidada pela Madalena Alfaia para a apresentação do livro quando ele foi editado pela Tinta-da-China. Conhece bem o meu trabalho e convidou-me para fazer uma sessão de leitura no lançamento. Nunca tinha lido nada da Dulce e quando li o livro, antes de fazer a leitura, fiquei completamente deslumbrada e surpreendida”, afirma a actriz Mónica Calle. “Não tem a ver com ter lido bem, mas com o facto de me ter apropriado das palavras dela e de ela também ter sentido isso. Eu ouvia e ela ouvia-me a mim com as suas palavras”, afirma.

Na hora de escolher o texto, Mónica Calle afirma “não houve uma decisão, este livro sou eu, Mónica, sou eu totalmente”. Um livro onde a actriz se identifica em tudo. “Já disse até que aquele livro foi escrito para mim, não tenho qualquer dúvida”. “Isto são os meus sentimentos, meus, Mónica. Eu estou aqui, neste sítio.” A actriz não decorou o texto todo mas trabalhou-o integralmente, “percebi que não teria que ficar muito preocupada, as palavras são minhas, o livro é meu e apropriado, eu estou lá e o livro está em mim. O sítio onde o livro coloca as coisas é o sítio onde eu estou”, conta-nos Mónica Calle. “Permite-me ir a todos os sítios da minha vida, é meu e universal, para devolver.” Segundo a actriz, “houve um encontro imediato com aquele livro, foi escrito para mim”. O monólogo tem cerca de cinco horas, ou mais, o necessário para transpor para o palco mais de 300 páginas da obra. “O livro não pode ser cortado, não faz sentido ser cortado, tem a ver com experiência limites, extremadas, com a violência. Toca em três temas tabus, realmente, de uma forma muito inteligente e subtil, muito séria e profunda – morte, maternidade e sexualidade.”

E à pergunta se vai continuar a trabalhar as obras de Dulce Maria Cardoso? “Vou continuar a trabalhar sobre as obras dela”, isto porque “os meus autores são muito poucos, são um leque reduzido”, conclui a actriz.

Um monólogo com cinco horas e quatro intervalos “que serão momentos de festa e encontro, onde o público poderá comer, beber e dançar”, como afirma o programa do espectáculo. Porque os intervalos “são uma parte importante depois de toda aquela desolação tão grande. Permite que as pessoas se encontrem umas com as outras”.

De 3 a 6 de Abril, Mónica Calle e Dulce Maria Cardoso apresentam “Os meus sentimentos”, no Grande Auditório da Culturgest.
Palco do Grande Auditório
19h30 · Duração: 5h
12€ · Até aos 30 anos: 5€
M16



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