Panorama 2013

PANORAMA | REPORTAGEM

Terminou a 11 de Maio a 7ª edição da Mostra do Documentário Português. Estes são os nossos destaques.

“As Partes e o Todo” de Levi Martins

Talvez por ser o seu primeiro documentário, Levi Martins mostra em “As Partes e o Todo”, um crescer de uma amizade com Humberto Machado que foi tecida, durante três anos, à luz de conversas entre Levi e o actor, da companhia Fatias de Cá. Neste filme, o realizador abre uma fresta do universo inquieto de Machado, onde entrando, sem incomodar, assistimos a interrogações profundas sobre os grandes temas da existência: desde o trabalho, a sexualidade e a família, até à morte e o poder.


“Anquanto La Lhéngua Fur Cantada” de João Botelho

João Botelho não se fica apenas pelas palavras quando diz que “enquanto a língua for cantada este povo não morre”. Na sua mais recente longa-metragem, o realizador mostra-nos que o mirandês e a música tradicional de Miranda do Douro continuam a viver puros e fortes momentos no seu cantinho em Trás-os-Montes. “Anquanto La Lhéngua Fur Cantada” é o terceiro filme de uma trilogia dedicada à região transmontana e com uma especial homenagem a Amadeu Ferreira, um dos maiores divulgadores da língua mirandesa. O documentário ficcionado revela-nos um olhar honesto e apaixonado pelas paisagens e costumes de Miranda do Douro, com uma Catarina Wallenstein cantadeira acompanhada pelo acordeão do músico Gabriel Gomes, sempre seguidos pelo burro Atenor.

 

“A Menina dos Olhos” de Regina Guimarães

Regina Guimarães, uma das vozes femininas mais singulares da literatura portuguesa, apresentou, em “Guimarães – Capital Europeia da Cultura”, o documentário “A Menina dos Olhos” pescado pelo PANORAMA para integrar a Sessão Guimarães. Neste filme, a escritora compõe uma manta de signos e símbolos sobre as pessoas, as doçarias e os amores, vividos durante a festa pagã dedicada a Santa Luzia. Entre entrevistas ternas e divertidas a casais e imagens de igrejas abençoadas com a figura de Santa Luzia, descobre-se a graça desta romaria tão pagã que até tem doces, muito doces, chamados Passarinhas.

 

“Quero-vos, Respeito-vos, Preciso de Vocês” de Alex Campos Garcia

Quando se tenta misturar documentário com reportagem o resultado pode não sair tão bem quanto o desejado, mas não deixa de causar impacto pelas emoções registadas. É o caso do filme de Alex Campos Garcia sobre a manifestação de 15 de maio em Madrid que, no meio de muita cor e palavras de (des)ordem, sai um pouco disperso pela falta de uma linha condutora visível e intervenientes concretos. Não deixa de nos tocar. Talvez por nos reconhecermos na indignação inadiável.

 

“Des-construindo-Parte de Mim” de Patrícia Louro

O que fazer com recordações traumáticas que se tornam a sombra da própria vida? A cineasta Patrícia Louro procurou a resposta em três mulheres que passaram por uma relação de abuso e violência e revela as suas histórias em Des-Construindo-Parte de Mim. Um filme sensível que põe de lado o estigma e a vitimização para dar lugar à reflexão sobre os direitos incompletos da igualdade de género numa sociedade que ainda tropeça nas suas raízes patriarcas.

 

“Acto da Primavera” de Manoel de Oliveira

O segundo filme de ficção de Manoel de Oliveira e umas das primeiras docuficções portuguesas retrata o confronto entre a mundanidade e a religiosidade de um suposto homem imortal. “Acto da Primavera” é uma encenação de uma celebração popular da Paixão de Cristo – festa tradicional da aldeia transmontana da Curalha, que se caracteriza pelo gesto teatral e pela palavra. Manuel de Oliveira utiliza os mesmo “atores” da festa, respeitando a sua declamação. Neste filme, o realizador passa da realidade para a representação, sem qualquer “legenda”, transcendendo a própria representação. Um jogo metaficcional que envolve gradualmente o espetador sem que este desconfie da sua mudança como mero observador para o de participante na história.

“Arte e o Ofício de Ourives” de Alberto Seixas

“Arte e o Ofício de Ourives” foi um filme encomendado a Alberto Seixas para fins promocionais. Apesar do compromisso de marketing, o realizador conseguiu recriar o trabalho de um ourives com imagens cheias de força e de beleza, com uma banda sonora a condizer, fazendo com que o documentário passasse a linha promocional para a linguagem da ficção.

 

“Vítor, Fecho da Fábrica” de Cândida Pinto

A reportagem pertence uma série criada pela SIC sobre “Momentos de Mudança”, dirigida por Cândida Pinto e com imagem de Jorge Pelicano.

Vítor é dono de uma fábrica familiar de têxteis que corre o risco de encerrar. Assistimos à forma como ele gere o seu negócio, a sua família e uma equipa de futebol sem esquecer valores como o respeito, a generosidade e a capacidade de compromisso. Como é seu apanágio, Jorge Pelicano, o habitual operador de câmara da SIC, arranca suspiros com a sua magnífica fotografia em “Vítor, Fecho da Fábrica” mas que, ao querer levar a reportagem para o campo da ficção, chega a provocar um sentimentalismo desnecessário. O impacto do fecho da fábrica na vida de Vítor e da sua família, e na vida das suas funcionárias, já são realidades suficientemente dramáticas reconhecidas por todos nós.

 

 

 

 



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