Pearl Jam | “Lightning Bolt”

Pearl Jam | “Lightning Bolt”

Os Pearl Jam não desiludem; ensinam-nos a abrir a mente para novos caminhos, novos espectros

Para muitos bastaria dizer que os Pearl Jam lançaram recentemente o seu décimo álbum e isso chegaria para que estivesse feita a respectiva crítica. A banda atingiu, realmente, um patamar em que lhes é permitido não dizer muito sobre este “Lightning Bolt”.

Verdade seja dita, os Pearl Jam simplesmente nunca saíram de cena; entre documentários, digressões constantes e álbuns a solo por parte do carismático vocalista que dispensa apresentações, a banda esteve sempre bem presente. Mal se deu conta de que passaram quatro anos desde de “Backspacer” viu a luz do dia pela primeira vez.

O início do disco é forte, ouve-se «Mind your manners» e pensa-se que a banda voltou à cena mais primária da sua carreira. Envolvem-nos depois no típico single/balada, que neste álbum o avanço foi para «Sirens», mas os ritmos mais fortes, mais rock continuam. Um lado que parece rejuvenescido e que capta a atenção. A bateria apresenta-se forte, com um baixo bem presente e as guitarras eléctricas tão magnificamente tocadas por Gossard e McCready, sem descurar no entanto a voz de revolta de Vedder.

Mas o álbum oferece, ainda assim, bastante mais, e talvez se consiga dividir em duas partes distintas, separadas pela faixa 6 e 7 («Infallible» e «Pendulum» respectivamente). Assim sendo, a segunda parte perde energia; voltam as guitarras acústicas, uma voz mais melancólica e algumas questões.

Perdoem aqueles que vêem “Deus no céu e PJ na terra”, mas «Sleeping by myself» levantou uma questão, que não pára de ecoar na mente e é tão simples como “Porquê?”.

A versão de Eddie Vedder no seu álbum a solo era tão boa que qualquer outra seria estranha, e é mesmo. Mas pior que estranha, é ser estranhamente má.

A juntar a isso, parece que surge um pouco de country em «Future Days», última faixa do álbum.

Fica, no entanto, uma dúvida no ar: estarão os Pearl Jam a preparar uma espécie de viragem na carreira? E é como se fosse uma daquelas questões que fazemos, mas a que rapidamente respondemos pois o álbum acaba recomeçando de novo e voltamos a presenciar aquilo que conhecemos tão bem da banda nos anos 90.

Concluímos assim que – fazendo sempre um fast-forward na faixa 10 – cada música apresentada em “Lightning Bolt” tem vida própria, existindo individualmente e é por isso que os Pearl Jam continuam a agradar a um leque de audiência tão vasto.

A complexidade do álbum é tal que, mesmo para quem o consegue dividir em dois, não será fácil dizer claramente que a segunda parte é aquela que apresenta a viragem menos positiva. Ainda assim, é essa mesma parte que contempla uma das suas faixas de eleição («Yellow Moon»).

Os Pearl Jam não desiludem; ensinam-nos a abrir a mente para novos caminhos, novos espectros. Daí que tenham uma das maiores e crescente base de fãs do Mundo. São carismáticos e míticos e o seu estatuto já lhes permite tudo. São simplesmente os Pearl Jam.



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