“Pippi das Meias Altas” | Astrid Lingren e Lauren Child

“Pippi das Meias Altas” | Astrid Lingren e Lauren Child

O Maio de 68 parisiense chegou à Suécia antes disso

No início da década de 1940, para entreter a filha que recuperava de uma pneumonia, Astrid Lindgren inventou uma personagem que, com os anos, se veio a tornar num ícone para os mais pequenos: a Pippi das Meias Altas. Para que os agora mais novos conheçam as aventuras de Pippi, a Booksmile lançou uma edição especial, com fantásticas ilustrações de Lauren Child, que conta muitas das aventuras desta miúda que usa umas tranças eternas.

Pippi representa como que o espírito livre que surgiria mais tarde, em França, no ano de 1968, e que nos tempos de hojeseria tolhido de olhos fechados quer pela ASAE, por uma indignada instituição infantil ou por uma entusiasmada e furiosa associação de pais. Senão vejamos: Pippi é uma rapariga de 8 anos – ou perto disso – que vive sozinha. A mãe foi para o céu e o pai anda a bordo de um navio algures pelo mundo – ou, pelo menos, andava, até ter caído borda fora de um -, tendo-lhe deixado uma mala atestada de dinheiro. Não anda na escola, veste-se mal – normalmente com uma meia de cada cor ou blusas que não rimam com as calças/saias – e faz os seus próprios biscoitos, estendendo a massa sobre os azulejos da cozinha. Os seus companheiros de casa são um cavalo e um macaco. Ninguém lhe diz o que fazer, mete-se facilmente em sarilhos, tem uma imaginação fora de série, um irreverente sentido de humor e uma força que deixaria o Popeye envergonhado.

Tomás e Anita, os seus vizinhos de Vila do Arco-Íris, ficam desde logo fascinados a partir do momento em que a conhecem, vivendo aventuras com que apenas se tinham atrevido a sonhar. E tudo graças a Pippi que, se para muitos pais é apontada como uma má influência para os seus rebentos, para outros representa o ideal máximo de liberdade infantil, a recusa de chegar ao estado adulto ou de, pelo menos, manter as portas da vida permanentemente abertas ao humor, ao sonho e à boa disposição. Simplesmente brilhante.



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