O Regresso de Heidi | Johanna Spyri

O Regresso de Heidi | Johanna Spyri

Iodelei, iodelei, iodelei!

Para aqueles cuja infância atravessou os anos 1970, mais do que o rock dos Rolling Stones ou a pop dos Beatles, foi o yodelling, uma forma de canto principalmente conhecida na região dos Alpes, a povoar o reino musical dos desenhos animados, esse universo primordial da criancice. E tudo graças à pequena Heidi, uma criação de Isao Takahata e Hayao Miyazaki – a partir dos livros de Johanna Spyri – que, no ano de 1976, se tornou presença assídua para quem assistia às transmissões da RTP – até porque concorrência nem vê-la.

Traduzida em mais de 50 idiomas, as aventuras de Heidi, uma menina orfã de 5 anos que foi viver com o avô para os Alpes suíços, chegam agora às livrarias nacionais pela mão da Booksmile, seguindo a edição original, com nova tradução do original alemão e servidas em dose dupla, com ilustrações de Rita Antunes.

Em “A Menina dos Alpes” (Booksmile, 2013) – original de 1881 -, Heidi muda-se para casa do avô, pois a tia, com quem vive desde que ficou orfã, recebeu uma proposta de trabalho daquelas a que se costuma tratar por “irrecusável”. O avô é tido como um velho zangado com o mundo, que vive isolado num planalto dos Alpes sem dar conversa a ninguém, mas Heidi começa aos poucos a derreter-lhe o coração. Porém, quando a tia regressa aos Alpes e a leva para Frankfurt para fazer companhia a Clara, uma menina paraplégica, Heidi começa a sentir uma grande nostalgia pelos tempos passados no meio de paisagens esplendorosas, sentindo que o seu lugar não pertence à cidade.

O Regresso de Heidi | Johanna Spyri

Já em “O Milagre da Montanha” (Booksmile, 2013), Heidi e o seu grande amigo Pedro, um castiço e bem-humorado pastor de cabras, recebem a visita de Clara. Porém, com a chegada desta, a vida na montanha parece estar destinada a mudar.

A história de Heidi, uma ode aos valores mais tradicionais e atravessada por uma grande carga religiosa, remete para alguns medos primitivos do Homem, como perder os pais ou ser obrigado a mudar constantemente de lugar. Curiosamente, mais de 130 anos depois da publicação original e num mundo assolado pela ideia de globalização e onde o neoliberalismo tomou conta dos destinos económicos de mais de meio mundo, Heidi lê-se quase como um livro de auto-ajuda para os mais novos, mostrando que, mesmo num mundo em que a mudança é diária e o sentido de insegurança é enorme, é possível encontrar um equilíbrio emocional. Nem que, para isso, seja preciso soltar um “iodelei” a plenos pulmões do alto de uma montanha.



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